Estados brasileiros vão cumprir Acordo de Paris, diz governador de Pernambuco

Em Nova York, Paulo Câmara discursou em nome de 10 estados do movimento Governadores pelo Clima

Ana Carolina Amaral
São Paulo

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), afirmou durante evento em Nova York na manhã desta terça que os estados brasileiros vão cumprir seu papel no Acordo de Paris. 

Em um evento paralelo, o discurso aconteceu ao mesmo tempo em que o presidente Bolsonaro abria a Assembleia Geral da ONU com ataques a indígenas, à França (que lançou no dia anterior uma aliança pela Amazônia) e com a negação das queimadas no bioma. 

“Diante dos riscos de retrocesso por parte de nosso governo nacional, os estados brasileiros decidem assumir resolutamente seu papel”, disse Câmara. 

O governador de Pernambuco, Paulo Camara (PSB), participou de eventos paralelos durante os discursos de chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU, em Nova York
O governador de Pernambuco, Paulo Camara (PSB), participou de eventos paralelos durante os discursos de chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU, em Nova York - Divulgação

Ele discursou em nome de 11 estados brasileiros (os nove estados da região Nordeste e o Espírito Santo), que enviaram uma carta aos americanos confirmando estarem representados por Câmara.

A fala de Câmara também se respalda pelo movimento Governadores pelo Clima, que desde abril vem mobilizando estados brasileiros para garantir a implementação de políticas climáticas que respondam aos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris, como o combate ao desmatamento ilegal e a promoção de energias renováveis. 

“O governador de Pernambuco faz um contraponto a Bolsonaro. Estende a mão para o planeta, em contraste com quem cuspiu”, diz Alfredo Sirkis, diretor do Centro Brasil no Clima, organização que apoia o movimento de governadores junto à Abema (Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente).

O evento foi convocado pela Aliança para Ação Climática e reuniu representantes de organizações internacionais e de governos para discutir o desafio de tornar o mundo ‘carbono neutro’, até 2050. 

O prazo para neutralização das emissões de gases que geram o aquecimento global é dado por relatórios científico do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU) como limite para evitar as consequências mais desastrosas das mudanças climáticas. 

A neutralidade em carbono não significa necessariamente a redução completa das emissões, podendo acontecer também por meio da compensação das emissões por meio de medidas de estocagem de carbono, através principalmente do plantio de árvores. 

Câmara anunciou que está transformando a ilha de Fernando de Noronha em um território ‘carbono neutro’ e que em breve todos os resíduos da ilha serão reciclados. 

Também afirmou que Pernambuco e os estados do Nordeste vão não só cumprir seu papel para nas metas brasileiras no Acordo de Paris, como também vão se tornar neutros em carbono no longo prazo. 

“Para tanto trabalhemos para estabelecer as alianças necessárias com outros estados brasileiros, prefeituras, iniciativa privada, terceiro setor e academia. Faremos isso atraindo investimentos para uma nova economia, sustentável, geradora de empregos, renda e qualidade de vida para nosso povo”, disse o governador. 

O movimento Governadores pelo Clima é análogo à resposta dada governadores americanos em 2017, quando o presidente Trump anunciou que os Estados Unidos deixaria o Acordo de Paris. O movimento We are still in (Nós ainda estamos dentro) reúne governadores, prefeitos, universidades e empresas americanas e  também estava representado no evento nesta terça.

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