Descrição de chapéu The New York Times

Para Greta Thunberg, EUA têm muito ar-condicionado e pouca ciência

Jovem sueca de 16 anos inspirou greves globais às sextas em defesa do clima

Somini Sengupta
Nova York | The New York Times

Greta Thunberg aprendeu algumas coisas em seu tour pelos Estados Unidos.

Nova York cheira mal. As pessoas falam muito alto, exageram no ar-condicionado e discutem sobre se o aquecimento global é ou não real, enquanto em seu país, a Suécia, o fenômeno é aceito como um fato.

Além disso, legisladores americanos fariam bem em aprender a ler os mais recentes dados científicos sobre mudanças climáticas.

É o que Thunberg, 16, disse a membros do Congresso americano na quarta-feira, quando requisitaram que ela submetesse seu testemunho. Ela então ofereceu um relatório de outubro do IPCC (painel intergovernamental de mudanças climáticas da ONU), ressaltando as ameaças do aumento de temperatura global. "Não quero que vocês me escutem", disse. "Quero que escutem os cientistas. E então quero que vocês tomem atitudes reais."

Com seu jeito direto, ela ofereceu aos americanos uma visão de fora deles mesmos. E usou a atenção que recebe para chamar a atenção para seus pares americanos, os jovens ativistas que se organizaram para combater as mudanças climáticas em suas comunidades sem o mesmo chamariz.

"Ela tem agido de forma altruísta", disse Xiuhtezcatl Martínez, 19, uma das 21 pessoas envolvidas em uma histórica ação de crianças contra o governo dos EUA.

Martinez se uniu a Thunberg em algumas de suas aparições públicas em Nova York e Washington. "Uma grande mensagem dela é: 'isso não é só para mim'", disse.

Na quarta, Thunberg se uniu aos seus colegas ativistas em um encontro com a congressista Nancy Pelosi. "Ela não quis dizer muito", lembrou Vic Barrett, 20, de Nova York. "Ela deixou claro que não queria que toda a atenção fosse para ela."

Greta Thunberg já se descreveu como "a garota invisível". Nunca foi fã de conversa fiada. Ela ainda fala baixo e vagarosamente. Mas sorri muito mais do que quando começou a ganhar atenção da mídia, há um ano. Ela parece mais confortável em confrontos e entrevistas, como quando foi questionada por Trevor Noah, do "The Daily Show", sobre como foi chegar a Nova York depois de uma viagem de duas semanas pelo Atlântico em um barco movido a energia solar.

Ela lembrou do cheiro. "Era indescritível", disse, arrancando risadas da plateia.

Na terça, ao falar com membros de uma força-tarefa do Senado, ela falou de forma direta aos legisladores que elogiaram jovens ativistas como ela por sua coragem. "Por favor, nos poupem de seus elogios. Não os queremos. Não nos convide aqui para dizer como somos inspiradores sem fazer nada a respeito."

Ela explicou sua indignação no programa "Good Morning", da CBS: "Não podemos nos concentrar no que podemos ou não podemos fazer agora. Precisamos falar claramente sobre o que está acontecendo."

Thunberg disse que quer que os protestos globais pelo clima marcados para esta sexta (20) seja sejam um "ponto social de inflexão".

Ela diz com frequência que não poderia ter imaginado que as greves nas escolas, que ela ajudou a inspirar, se espalhariam por tantos países. E volta e meia fala publicamente em "gratidão".

"Você sempre vai sentir que não está fazendo o suficiente", disse, na semana passada. "Esse é um sentimento muito perigoso especialmente quando você está fazendo tudo o que pode."

"Eles estão fazendo o impossível", disse sobre seus colegas. "Sou eternamente grata a eles."

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