Presidente do Chile cobra China e EUA a fazer mais contra mudança climática

Os dois países se encontram em meio a uma guerra comercial

Eliane Trindade
São Paulo e Nova York

O presidente do Chile, Sebatián Piñera, lamentou que as duas maiores economias do mundo, China e EUA, estejam envolvidas em uma guerra comercial, quando poderiam estar contribuindo mais para a batalha contra as mudanças climáticas. 

“Temos enormes desafios e precisamos de lideranças”, disse ele na sessão plenária da tarde desta segunda-feira (22) na cúpula de Desenvolvimento Sustentável do Fórum Econômico Mundial, em Nova York.
 
Ele destacou ainda o fato de o Chile sediar a COP25, a próxima conferência climática das Nações Unidas, em Santiago em dezembro.
 
“Cada geração tem seus próprios desafios. Mas nenhuma enfrentou um desafio tão urgente quanto o que enfrentamos em relação às mudanças climáticas e ao aquecimento global. Esta é a batalha de uma vida", disse.

Sebatián Piñera, presidente do Chile, e Emmanuel Macron, presidente da França, durante reunião na ONU, em 23 de setembro de 2019
Sebatián Piñera, presidente do Chile, e Emmanuel Macron, presidente da França, durante reunião na ONU, em 23 de setembro de 2019 - Ludovic Marin/AFP

Piñera anunciou que seu governo foi convidado pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a montar uma "Coalizão de Ambição", e até agora 66 países se comprometeram a se tornar neutros em carbono antes de 2050.
 
O Chile, disse ele, já está se movendo nessa direção. Faz o movimento ancorado em quatro ferramentas: descarbonizando 100% seu suprimento de energia; usando combustíveis renováveis no transporte público, buscando aumentar eficiência energética em todos os setores e aumentando o reflorestamento.
 
Com esses instrumentos, o Chile deve conseguir atingir suas metas para 2050. Para o presidente chileno, os jovens têm o papel de fazê-los avançar mais rapidamente. “Temos o dever moral de agir, e os jovens devem nos pressionar nesta direção.”

Sobre a proteção das florestas tropicais, o chileno foi diplomático.
 
“Infelizmente, por causa do desmatamento, na Amazônia, no Congo, no Sul da Ásia, temos as queimadas”, afirmou, para concluir que alinhado com o colega francês, Emmanuel Macron, também defende a necessidade de cooperação internacional para melhorar o nível de proteção das florestas tropicais. “Precisamos de uma grande aliança. Não temos mais tempo. É hora de agir.”

O presidente chileno ressaltou que os seres humanos são as criaturas mais inteligentes da Terra, mas também as únicas dispostas a destruir o planeta. “Mas não é o futuro da Terra que está em risco —nosso planeta sobrevive há bilhões de anos. É o futuro da raça humana que está em risco.” 

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