Após novas manchas, Salles diz que não sabe quantidade de óleo ainda no mar

Ibama diz que 178 praias já foram contaminadas, em 72 municípios do Nordeste

Carlos Madeiro
Maceió | UOL

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou nesta quarta (16) em Maceió que não é possível saber quanto ainda existe de óleo no mar nem como prever se novas manchas aparecerão no litoral nordestino. Salles fez um sobrevoo nesta tarde sobre os litorais de Alagoas e Bahia para conferir as novas manchas de petróleo que surgiram e poluíram as areias nos dois estados.

Manchas de óleo têm aparecido no litoral nordestino desde o dia 2 de setembro, sem que o governo e pesquisadores consigam descobrir a origem e local do vazamento.

"Ao que tudo indica é o mesmo óleo [das novas manchas] que as correntes marítimas, a movimentação de marés, move e faz com que ele toque na costa e retroceda. Mas não sabemos quanto desse óleo está no mar. Então, ele toca na praia e a gente retira para evitar que ele volte ao mar", disse.

O ministro voltou a dizer que o óleo encontrado no litoral é de origem origem venezuelana, mas afirmou que não acredita na hipótese de um vazamento ativo do fundo do mar.

"Se é óleo vazando do fundo do mar, não é do fundo do mar brasileiro, porque ele é venezuelano; ou seja, se tiver, está vindo de poço muito distante. A hipótese mais provável, mas não é a única, é que tenha vazado de um navio, seja durante transporte de um navio para o outro, seja uma avaria ou despejamento."

Ainda segundo o ministro, é necessário o empenho de todos os órgãos dos governos federal, estadual e municipal para dar respostas ao desastre ambiental na região.

"Não é o município sozinho, o estado ou o governo federal que vai resolver o problema. Todos estão atuando juntos, como temos feito desde o dia 2 de setembro", garantiu.

Sobre a visita de hoje, ele afirmou que viu muitas manchas de óleo, como a grande que apareceu de ontem para hoje, em Japaratinga (AL), e que as medidas estão sendo tomadas em todas as áreas.

"Fizemos uma vistoria na Bahia e aqui em Alagoas. Temos avançados em todas as medidas disponíveis, tanto de monitoramento, recolhimento e destinação, além da investigação da origem desse óleo aparentemente venezuelano", afirmou, dizendo que é preciso avançar mais e fechar as investigações para dar mais detalhes sobre o que ocorreu.

Segundo balanço do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), até ontem havia o registro de 178 praias contaminadas, em 72 municípios do Nordeste.

Nos últimos dias, as manchas de petróleo tem aparecimento concentrado no norte da Bahia e no norte de Alagoas —com uma distância superior a 300 km entre os pontos dos novos surgimentos. Ontem, além da Alagoas, vestígios do óleo foram achados também em Jandaíra, no litoral norte baiano.

Ontem, a força-tarefa federal enviou nota à tarde na qual afirmava que não havia novos registros de óleo em um período de 24 horas, mas a situação mudou de forma brusca mais uma vez.

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