Chamada por Bolsonaro de 'roubo', taxa de Fernando de Noronha fica mais cara

Cobrança passou de R$ 212 para R$ 222, com direito a até dez dias de acesso ao parque

João Pedro Pitombo
Salvador

Três meses depois de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) classificar como “um roubo” as taxas do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, o governo federal decidiu reajustar o valor cobrado aos visitantes deste e de outros nove parques federais.
 
A partir de 1º de novembro deste ano, os turistas que visitarem Fernando de Noronha pagarão uma taxa de R$ 222 para até dez dias de acesso ao parque nacional. Atualmente, a taxa é de R$ 212.
 
Os visitantes brasileiros têm 50% de desconto e passarão a pagar taxa de R$ 111 —antes o valor era de R$ 106.

 
Em julho, o presidente Bolsonaro fez uma postagem em suas redes sociais na qual afirmou que a taxa “é um roubo” e que pretendia revê-la.
 
“Isso explica porque quase inexiste turismo no Brasil”, afirmou o presidente na postagem, acompanhada de um vídeo no qual um homem dizia que a praia local fica vazia mesmo quando o limite para visitantes é atingido.

Após a declaração de Bolsonaro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou a visitar a região. Em encontro com a empresa Econoronha, responsável pela arrecadação da taxa de visitação das praias do parque marinho do arquipélago, contudo, não detalhou nenhum plano para rever a taxa.
 
A taxa é cobrada desde 2012. Segundo o ICMBio, braço do Ministério do Meio Ambiente responsável pela conservação de fauna e flora, 70% do valor do ingresso é usado na infraestrutura, sinalização e manutenção de trilhas do do parque nacional.
 
Além da taxa para acesso ao parque, os visitantes de Noronha pagam ainda uma taxa de preservação ambiental de R$ 73,52 por dia, com teto de 30 dias.
 
Mesmo com as taxas, o arquipélago é um dos destinos mais procurados do litoral brasileiro. Em 2018, recebeu 103 mil turistas, número recorde e acima do limite considerável suportável para o local, que é de 89 mil visitantes por ano, segundo estudo feito em 2009.
 
O reajuste das taxas dos parques foi anunciado em portaria emitida na última sexta-feira (27) pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente.
 
Além do parque de Fernando de Noronha, o governo também reajustou as taxas de outros nove parques nacionais: Iguaçu, Abrolhos, Tijuca, Serra dos Órgãos, Caparaó, Serra da Capivara, Itatiaia, Pau Brasil e Chapada dos Veadeiros. Em todos os casos, o reajuste ficou abaixo de 10%.
 
Outros parques como Lençóis Maranhenses, Serra da Bodoquena e Chapada dos Guimarães permanecem com a mesma taxa.
 
Os reajustes acontecem num momento em que o governo federal analisa conceder a gestão dos parques para a iniciativa privada.
 
A medida é encarada como uma estratégia para alavancar investimentos, aumentar a visitação e o apoio da população às áreas protegidas e, ainda, diminuir custos de manutenção.


Confira os preços:
 
Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha
R$ 222 (ingresso para o público em geral válido por 10 dias)
 
Parque Nacional do Iguaçu
R$ 59 (para o público em geral)
 
Parque Nacional do Caparaó
R$ 36 (para o público em geral)
 
Parque Nacional da Serra da Capivara
R$ 36 (para o público em geral)
 
Parque Nacional de Itatiaia, Parque Nacional do Pau Brasil
R$ 36 (para o público em geral)
 
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
R$ 36 (para o público em geral)
 
Parque Nacional Marinho dos Abrolhos
R$ 93 (para o público em geral)
 
Parque Nacional da Tijuca
R$ 30 (ingresso Setor Corcovado, para público em geral)
 
Parque Nacional Serra dos Órgãos
R$ 37 (para o público em geral)
 
Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
R$ 40 (para o público em geral)
 
O Parque Nacional da Serra da Bodoquena
 R$ 60 (para o público em geral)
 
Parque Nacional da Chapada dos Guimarães
R$ 40 (para o público em geral)

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