Governo faz tudo o que lhe cabe para limpar praias, diz ministro de Minas e Energia

Em evento de petroleiras, Bento Albuquerque diz que vazamento não impacta leilões de áreas petrolíferas

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou nesta terça (29) que o governo está fazendo “tudo o que lhe compete” para limpar praias do Nordeste atingidas por vazamento de óleo de origem ainda desconhecida. Ele defendeu que a crise não tem relação com a atividade de exploração e produção de petróleo no pais e não deve afetar os leilões marcados para a próxima semana.

A ação do governo é alvo de críticas, tanto pela extinção, em abril, de comitês do Plano Nacional de Contingência para contaminação por petróleo, quanto por demora e falta de equipamentos adequados na limpeza das praias.

“O governo está fazendo tudo o que lhe compete para minimizar os danos e fazendo investigação séria sobre as origens”, disse Albuquerque, em entrevista após abertura da OTC Brasil, edição brasileira da maior conferência de petróleo do mundo. “O esforço está sendo feito de forma integrada e com a cooperação da comunidade internacional.”

Em seu discurso na abertura do evento, Albuquerque não mencionou o vazamento, preferindo falar sobre as perspectivas de crescimento da indústria do petróleo no país. Na entrevista mais tarde, disse que não há relação entre a indústria petrolífera no país e a contaminação das praias.

“Não é por causa da exploração das nossas riquezas que ocorreu esse acidente”, afirmou. O governo realiza na semana que vem o maior leilão de petróleo da história do país, com perspectivas de arrecadar até R$ 106 bilhões.

O ministro disse esperar boa participação de empresas no leilão, alegando que tem ouvido manifestações de interesse de diferentes petroleiras. Além do megaleilão da cessão onerosa, que oferecerá quatro descobertas feitas pela Petrobras, o governo realizará também na semana que vem outro leilão do pré-sal, com cinco blocos para exploração de reservas.

Segundo projeção do diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Décio Oddone, a arrecadação será de pelo menos R$ 70 bilhões, considerando que a Petrobras exerceu direito de preferência por cinco das nove áreas oferecidas. Ele também tentou afastar relação entre o desastre e os leilões.

“Não foi vazamento originado no Brasil, não tem nada a ver com operações brasileiras”, afirmou, dizendo que não se lembra de evento semelhante no mundo, diante do desconhecimento sobre a origem do óleo.

Os primeiros registros do vazamento foram confirmados pelo Ibama (Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), mas o plano de contingência só foi acionado mais de um mês depois. As operações de limpeza têm sido concentradas no IBAMA, com apoio da Petrobras.

Albuquerque diz que o MME (Ministério de Minas e Energia) foi acionado desde o princípio e vem participando do grupo que acompanha as ações de resposta. Segundo ele, eventuais mudanças na legislação sobre prevenção ou remediação só deverão ser discutidas após conhecimento das causas do acidente.

Representante das empresas de petróleo que operam no Brasil, o IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo) disse que as petroleiras privadas têm apoiado o governo com um sistema georreferenciado de informações sobre as praias atingidas e que mandará amostras do óleo para análise em laboratórios na França e na Noruega.

Segundo o presidente do instituto, José Firmo, a concentração dos esforços com a Petrobras reflete a maior presença da estatal na região Nordeste. “Não tem nenhuma empresa que não estaria disposta a ajudar e trazer recursos”, afirmou. “Mas hoje quem está fisicamente no Nordeste é a Petrobras.”

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