Ibama descarta hipótese de que grande mancha de óleo esteja chegando à Bahia

Professor da UFBA, porém, diz que é cedo para desconsiderar suspeita; mancha seria de 21 quilômetros quadrados

Anna Virginia Balloussier
Rio de Janeiro

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) descartou a hipótese de que uma nova mancha de petróleo, estimada em 21 km², esteja flutuando a 100 km da costa baiana

Imagens com focos escuros em alto mar alarmaram especialistas e chegaram até o instituto federal. Superintendente do Ibama na Bahia, Rodrigo Alves disse à Folha neste sábado (12) que enviou uma equipe para as coordenadas que lhes foram passadas. "O povo achou que dificilmente seria óleo. Estava aparentando [ser a] sombra de nuvem chuvosa."

O borrão de petróleo que tantos temiam estar se aproximando do litoral nordestino teria um tamanho equivalente a 13 parques Ibirapuera, de São Paulo. Ele se somaria às amostras que já aparecem em  mais de 160 pontos do litoral do Nordeste. 

Alves diz que instituiu na sexta (11) em Salvador um comando unificado "para acompanhar toda essa emergência ambiental", que reúne pesquisadores, Estado e municípios afetados.

 
Mancha vista por satélite
Imagem de satélite mostra suposta mancha de óleo - Divulgação/UFBA

Um dia antes, professores da UFBA (Universidade Federal da Bahia) corroboraram informações de que os óleos vistos nas praias têm origem na Venezuela, o que o regime do ditador Nicolás Maduro nega.

Voos diários sobrevoam a região para tentar encontrar novos focos de petróleo, mas até o momento "não conseguimos visualizar óleo nenhum em alto mar", afirma o superintendente.

Para Guilherme Lessa, professor da UFBA, é cedo para descartar que a suspeita repassada ao Ibama não seja, de fato, uma nossa massa. "É discutível. Teremos outra imagem em três dias e então tiraremos a prova. De qualquer forma, a massa d'água que estaria transportando esta mancha está se deslocando muito devagar, e mesmo se for óleo aparentemente não chegaria na costa nos próximos seis dias."

Embora o governo trabalhe com a ideia de que os dejetos têm DNA venezuelano, não é possível cravar sua origem exata (se vieram de um navio afundado, por exemplo), e isso atrapalha previsões sobre a rota das pelotas de petróleo cru que passaram a pipocar na costa nordestina em setembro. 

"O que temos é mancha se deslocando rumo ao sul, que vai grudando recifes", diz Alves. "Mas não tem aparecido óleo novo."

Não tem como prever se a migração do petróleo para áreas ao sul da costa brasileira atingirá Sudeste e Sul. "Mas, se você olhar pra trás, não há evidências de que seja provável que aconteça, não."

Veja aqui os locais afetados.

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