Não se sabe se poluição com óleo em praias está perto do fim, diz ministro da Defesa

Mais de mil toneladas do material já foram coletadas, segundo o governo

Brasília

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, afirmou nesta terça (29), véspera de a poluição com óleo nas praias do Nordeste completar dois meses, ser impossível prever se o problema está perto do fim.

As primeiras manchas de petróleo foram detectadas em 30 de agosto e, segundo ele, não há como mensurar quantidades ou que antever rumo tomarão. 

“A duração do tempo, não sabemos ainda. Estamos aperfeiçoando os processos. Estamos atuando desde 2 de setembro”, declarou o ministro durante entrevista coletiva para apresentar o balanço das atividades de resposta à emergência ambiental.

A Marinha informou que resíduos foram detectados nesta terça em mais 19 localidades, demandando operações de limpeza, mas não detalhou quais são elas. 

Na segunda (28), o óleo reapareceu em nove praias: Via Costeira e Búzios, no Rio Grande do Norte; Conceição e Itapuama, em Pernambuco; Japaratinga e Piaçabuçu, em Alagoas; Abaís, em Sergipe; Morro de São Paulo e Moreré, na Bahia. 

Por ora, desde que o derramamento foi notado pela primeira vez, 254 lugares foram atingidos, incluindo praias, mangues e estuários. 

Foram coletadas 1.027 toneladas de resíduos em uma faixa de 2.5 mil quilômetros de costa. Técnicos da Marinha têm discutido com pesquisadores de universidades protocolos para a limpeza de alguns locais, tendo em vista que dano ambiental dessa magnitude é inédito no litoral brasileiro. 

O nível de dificuldade é grande nos mangues e exige remoção do piche com as mãos.

A poluição tem avançado ao sul, tendo chegado à região de Ilhéus (BA). 

Segundo a Marinha, há a preocupação de que as manchas cheguem ao arquipélago de Abrolhos e sigam para o Sudeste, especialmente o litoral do Espírito Santo. 

O almirante de esquadra Leonardo Puntel, comandante de Operações Navais da Marinha, afirmou que o óleo se desloca de forma submersa, com dinâmica imprevisível. Prova disso, segundo ele, é que a poluição foi detectada na Bahia, apareceu depois ao norte, em estados como Pernambuco, e em seguida voltou a ser notada na Bahia.

“Isso significa e mostra a dificuldade de prever para onde essas manchas vão”, declarou. “Esse movimento não tem uma lógica matemática.”

Foram empenhados nesta terça três navios perto de Abrolhos, na tentativa de monitorar o comportamento das manchas. A previsão é que mais dois sejam empregados mais dois nesta quarta. 

“As quantidades estão diminuindo nas praias. Temos de monitorar o tempo todo para, assim que esse óleo chegar, nós conseguirmos fazer essa limpeza com rapidez”, comentou Puntel.

A hipótese da Marinha é de que um vazamento tenha ocorrido a cerca de 600 km costa brasileira. As investigações sobre o caso ainda estão em curso. 

Autoridades de 11 países foram notificadas para informar sobre eventual acidente com cerca de 30 cargueiros. Mas não se sabe exatamente quantas embarcações clandestinas, os dark ships, passaram pelo local. 

Segundo o ministro da Defesa, eles navegam com os sinalizadores desligados e, por esse motivo, é necessário fazer um monitoramento por satélite. “Não é um trabalho rápido.”

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