Óleo volta a atingir a praia Arembepe, na Grande Salvador

Foram encontradas manchas de até um metro de comprimento no local, que é um dos balneários mais movimentados do litoral norte

João Pedro Pitombo
Salvador

Cerca de 20 dias depois de ter sido atingida pelo óleo pela primeira vez, a praia de Arembepe, em Camaçari (50 km de Salvador), voltou a ser tomada pelo óleo na manhã desta quinta-feira (31).

Grandes manchas de óleo com até um metro de comprimento atingiram a faixa de areia entre a aldeia hippie e o emissário submarino. Um trecho com pedras também foi manchado.

Arembepe é um dos balneários mais movimentados do litoral norte e ganhou fama nos anos 1970, quando foi reduto de hippies e artistas como Janis Joplin e Mick Jagger.

 
 

Voluntários se mobilizam desde o final da manhã para retirar o óleo. Como é grande a quantidade da substância tóxica, a orientação é utilizar equipamentos de proteção individual completos, incluindo botas, macacões, luvas e máscaras antigás para cobrir o rosto.

Com o primeiro registro no dia de 30 de setembro, o vazamento de óleo já atingiu 283 localidades em 98 municípios nos noves estados do Nordeste. Na Bahia, o óleo chegou há cerca de três semanas.
 
Desde o início desta semana, o sul da Bahia havia se transformado no principal destino da chegada do óleo no litoral nordestino.
 
Cidades como Ilhéus, Itacaré, Maraú, Una, Uruçuca e Ituberá estão entre as mais atingidas. Com praias isoladas, cercadas de áreas remanescentes de Mata Atlântica e plantações cacau, as cidades têm o turismo como uma de suas principais fontes de renda.
 
Na manhã de terça-feira (29), o óleo chegou com maior intensidade a quatro praias de Ilhéus. A prefeitura informou que 10 toneladas de petróleo foram retiradas das praias da Avenida, de Ponta do Ramo, Ponta da Tulha e São Domingos.

 
Em Itacaré, praias que costuma atrair surfistas de todo o Brasil, o óleo chegou com mais intensidade na praia da Ribeira. Antes, pequenos fragmentos haviam sido encontrados nas praias de Itacarezinho, Tiririca, Resende.
 
Na península de Maraú, as manchas chegaram na praia de Barra Grande –conhecida por sua águas calmas que se unem ao estuário do rio Maraú – e na praias de Taipu de Fora, que possui piscinas naturais durante a maré baixa.
 
Uma grande extensão da praia de Ilha de Comandatuba, no município de Una, também foi atingida pelo óleo. Já em Pratigi, que fica em uma região isolada do município de Ituberá, cerca de duas toneladas de óleo foram retiradas.

Nesta terça-feira, o petróleo chegou em pequenas quantidades nas cidades de Canavieiras, Belmonte e Santa Cruz Cabrália, que também ficam no sul da Bahia, dentro da chamada região de Abrolhos.
 
A região de Abrolhos é a macro área que se estende desde a o litoral da cidade de Canavieiras, na Bahia, até São Matheus, no Espírito Santo.
                                                
É dentro dela, na altura do município de Caravelas, que fica o Parque Naciona l de Abrolhos, considerado um dos principais berços de biodiversidade marinha do Atlântico Sul.
 
Até o momento, não foram registradas manchas dentro do parque, mas o óleo já chegou a praias que estão uma distância de cerca de 160 km em linha reta.
 
O Grupo de Avaliação e Acompanhamento, formado por Marinha do Brasil, ANP (Agência Nacional do Petróleo) e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), informou que o monitoramento do Arquipélago de Abrolhos foi intensificado.
 
O objetivo é visualizar e recolher possíveis manchas de óleo ainda na água. Navios e corvetas da Marinha foram deslocados para a região. 

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