Após prisão de brigadistas, Bolsonaro volta a acusar ONGs por queimadas

Sem provas, presidente sugeriu que brigadistas ganham a vida 'tocando fogo na Amazônia'

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro voltou a acusar ONGs pelas queimadas na Amazônia sem apresentar provas. As novas acusações ocorreram após a contestada prisão de brigadistas que foram presos sob suspeita de participação em incêndios em Alter do Chão, em Santarém, no Pará. Os quatro brigadistas foram soltos nesta quinta (28).

Em transmissão ao vivo pelas redes sociais também nesta quinta-feira, ele disse que "a casa caiu" para os que tentavam culpá-lo pelos incêndios. 

"Me acusaram de tudo quanto é jeito de ser conivente. Eu falei, fui bem claro: suspeitava de ONGs. Pronto, a imprensa passou três, quatro dias comendo meu fígado pelo Brasil. Irresponsabilidade, nem quero falar meu nome aqui para não dar polêmica para o Brasil. A casa caiu, é isso mesmo?", disse.

Bolsonaro com as mãos no rosto, encobre a boca
O presidente brasileiro Jair Bolsonaro no Fórum Nacional de Controle, nesta quinta (28), em Brasília - Lucio Tavora/Xinhua

A investigação tem sido questionada pela falta de evidências de crime por parte dos brigadistas. Segundo o Ministério Público Federal, a investigação federal apontava que os possíveis responsáveis pelo incêndio eram o assédio de grileiros, a ocupação desordenada da região e a especulação imobiliária.

Nesta quinta, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), determinou a mudança no comando da apuração, conduzida pela Polícia Civil do estado. 

"Vocês lembram aí, quando foi, em agosto, começou primeiro a me atacar com questão de derrubada na Amazônia", disse o presidente. "Depois vieram as queimadas." 

Ele ainda ironizou o ator americano Leonardo DiCaprio por ter se solidarizado com as queimadas. "Leonardo DiCaprio, como é que entra na história. Conta para gente, é o mico do ano", disse.

O presidente acusou as ONGs de agirem em causa própria e de terem ateado fogo na floresta para tirar fotos e conseguir dinheiro internacional. "Uma ONG pagou R$ 70 mil por fotografia de queimadas. Então, o pessoal da ONG, o que é mais fácil? Toca fogo no mato. Tira foto, filma, a ONG faz campanha contra o Brasil, entra em contato com o Leonardo DiCaprio, e o Leonardo DiCaprio doa US$ 500 mil para essa ONG. Uma parte foi para o pessoal que tava tocando fogo", disse.

O presidente também aproveitou para voltar a atacar veículos de imprensa. Segundo ele, o caso em apuração no Pará é uma prova de como a mídia brasileira e do exterior "propaga notícias mentirosas, fantasiosas para prejudicar o Brasil". 

Segundo o MPF, brigadistas e ONGs não estão entre os suspeitos de terem causado incêndios florestais em área de proteção ambiental em Alter do Chão.

Bolsonaro diz que circulam imagens na internet de que os quatro brigadistas vivam em condições de luxo, mas afirmou não saber se as imagens são verdadeiras. 

"Está circulando foto dos quatro ongueiros, parece que é verdadeiro, eu não tenho certeza. Os caras vivendo lá numa luxúria (sic) de fazer inveja para qualquer trilionário. E ganhando a vida como? Tocando fogo na Amazônia. Uma grande jogada. Ô DiCaprio, pisou na bola, hein?."

O presidente ainda ironizou o mandatário francês, Emmanuel Macron, que à época das queimadas, em agosto, usou as redes sociais para criticar o governo brasileiro

"Estamos esperando o presidente de um grande país europeu falar alguma coisa sobre as fotos e sobre o DiCaprio."

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