Bolsonaro elogia inquérito polêmico que levou à prisão brigadistas de Alter do Chão

Na investigação federal, diferentemente da realizada pela Polícia Civil, nenhum elemento apontava para a participação deles nas queimadas amazônicas

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quarta-feira (11) os quatro brigadistas de Alter do Chão, que foram soltos em novembro após terem sido apontados como suspeitos de terem iniciado incêndios em área de proteção ambiental em polêmico inquérito da Polícia Civil.

Na investigação federal, diferentemente da realizada pela Polícia Civil, nenhum elemento apontava para a participação deles nas queimadas amazônicas. Após o inquérito ter sido questionado, o governador do Pará, Helder Barbalho, trocou o delegado que comandava as investigações. 

A apuração do Ministério Público Federal em Santarém apontava como possíveis responsáveis o assédio de grileiros, a ocupação desordenada da região e a especulação imobiliária. Desde o mês passado, os quatro brigadistas respondem ao processo em liberdade.

Na entrada do Palácio do Alvorada, o presidente parabenizou a Polícia Civil e disse que ela não apresentou indícios, mas provas do envolvimento no crime ambiental. Ele lembrou que, no passado, já havia dito que recursos de ONGs (Organizações Não-Governamentais) poderiam ter relação com os incêndios.

Brigadistas de Alter do Chão
Brigadistas de Alter do Chão - Reprodução/Instagram

"Impressionante o trabalho, no meu entender, bastante objetivo. Pegou pessoal que ganhava dinheiro de ONGs para tocar fogo no Brasil e a imprensa em grande parte defendendo agora esses quatro caras que foram presos e foram postos em liberdade", disse.

Na conversa com um grupo de eleitores, Bolsonaro voltou a citar o ator norte-americano Leonardo DiCaprio, lembrando que ele doou recursos a uma entidade da sociedade civil. Ele ressaltou que as pessoas o apoiam apenas por ele ser "mais bonito" que o presidente brasileiro.

Em tom ofensivo, ele criticou novamente a jovem ativista sueca Greta Thunberg, que tem ganhado destaque mundial na luta contra os efeitos das mudanças climáticas e que foi escolhida a Pessoa do Ano pela revista americana Time.

Imagem de incêndio em Alter do Chão (PA) em setembro de 2019
Imagem de incêndio em Alter do Chão (PA) em setembro de 2019 - Eugênio Scannavino/Arquivo Pessoal

"Uma pirralha de 16 anos fala qualquer besteira lá fora, qualquer besteira, falou para dar porrada no Brasil, e o pessoal dá destaque. Ela, inclusive, disse agora que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. Ninguém sabe a causa ainda, estão apurando", disse.

Na terça-feira (10), Bolsonaro também a chamou de "pirralha". Após a declaração, a palavra foi inserida na descrição do perfil oficial de Greta nas redes sociais. Em agosto, a conta da ativista também foi alterada em uma resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na época, ele ironizou a jovem e afirmou que ela parecida ser uma garota "muito feliz", referindo-se ao semblante sério dela. Após a declaração, a qualificação "muito feliz" foi incluída pela sueca em sua descrição.

Mais tarde, em evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o presidente voltou a chamar Greta de "pirralha" e disse que não há país que preserva mais o meio ambiente como o Brasil.
"Tem uma pirralha agora que está agora fazendo seu showzinho na COP 25", disse.
 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.