Clima é o que mais preocupa jovens no mundo; no Brasil, corrupção é a maior questão

Pesquisa da ONG Anistia Internacional ouviu mais de 10 mil jovens em diferentes países

Rio de Janeiro

As mudanças climáticas são o problema mundial mais citado por jovens de 18 a 25 anos, mostrou uma pesquisa feita em 22 países e divulgada nesta terça (10) pela ONG Anistia Internacional, para marcar o Dia Internacional dos Direitos Humanos. 

A questão foi citada por 41% dos entrevistados como um dos principais desafios dos tempos atuais, seguida por poluição (36%) e terrorismo (31%). Eles tinham que apontar, em uma lista de 23 opções, as cinco que mais os preocupam.

A perda de recursos naturais, a desigualdade racial, o crime violento, a agressão contra as mulheres e o acesso à água potável também são assuntos que afligem uma em cada cinco pessoas da geração que o estudo chama de Z: de 18 a 25 anos.

A pesquisa online ouviu mais de 10 mil jovens dessa idade em países com diferentes realidades, dos seis continentes habitados, incluindo Brasil, México, Coreia do Sul, Índia, África do Sul, Quênia, Austrália, EUA, Suíça e Ucrânia (cerca de 500 pessoas em cada um). 

Quando a pergunta é sobre os principais problemas dos próprios países desses jovens, no entanto, as mudanças climáticas caem para a quinta posição. Têm mais destaque a corrupção (36%), poluição (26%) e instabilidade econômica (26%).

O levantamento foi divulgado enquanto autoridades mundiais se reúnem em Madri para discutir sobre esse assunto na COP-25 (conferência do clima da ONU) até sexta (13). Os diplomatas tentam concluir a regulamentação do Acordo de Paris, que prevê metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa.

“Se os eventos [climáticos] de 2019 nos ensinam alguma coisa, é que as gerações mais jovens merecem um assento na mesa quando se trata de decisões sobre elas”, disse Kumi Naidoo, o secretário-geral da Anistia Internacional, sobre a pesquisa.

Enquanto no resto dos países que participaram da entrevista a poluição do ar e o aquecimento global são considerados os maiores problemas ambientais locais, no Brasil aparecem principalmente o desmatamento (59%) e as queimadas (51%), pauta frequente deste ano sob o governo de Jair Bolsonaro.

A pesquisa, inclusive, também foi divulgada no mesmo dia em que o presidente chamou de pirralha a ativista sueca Greta Thunberg, que aos 16 anos tem ganhado destaque mundial no tema. Ela respondeu adicionando a palavra ao seu perfil nas redes sociais.

A crise do clima, no entanto, não parece estar entre as maiores preocupações dos jovens no Brasil. As mudanças climáticas despencam para a 17ª posição quando eles têm que responder os principais problemas de seu país —só 8% citam essa questão.

Antes disso vêm principalmente a corrupção, com quase metade das respostas, e a falta de acesso à saúde e educação de qualidade, assim como a violência armada ou contra a mulher e a desigualdade de renda.

Para essa geração brasileira, assim como nos demais países, as indústrias que estão mais associadas a violações dos direitos humanos são a mineração e os fabricantes de armamentos, que também têm sido defendidas por Bolsonaro desde a campanha eleitoral. 

Globalmente, os jovens indicam que se importam com a questão: 60% concordam com a frase “os direitos humanos têm que ser protegidos, mesmo que tenham um impacto negativo na economia”.

Três em cada quatro deles dizem que os governos são os principais responsáveis por garantir a proteção a esses direitos, e não os indivíduos, as corporações ou as ONGs.

Mesmo assim, eles acreditam que algumas ações pessoais têm poder de promover mudanças. Veem como extremamente ou muito efetivos atos como votar em eleições (70% acham isso), doar para uma ONG (63%) e juntar-se a um grupo de ativistas (62%).

A pesquisa “Futuro da Humanidade” foi realizada pelo instituto Ipsos Mori, entre 6 de setembro e 2 de outubro, considerando proporções de idade, sexo e região. Eles ponderam, porém, que os entrevistados devem ser considerados mais urbanos e conectados do que a população em geral.

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