Metade das praias do mundo poderá desaparecer até 2100, diz estudo

Risco vem das mudanças climáticas e do aumento do nível do mar; Brasil está entre os países mais vulneráveis

Paris | AFP

As mudanças climáticas e o aumento do nível dos oceanos poderiam fazer desaparecer metade das praias de areia no mundo até 2100, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (2) na revista Nature Climate Change. 

Mesmo que a humanidade consiga reduzir de forma eficaz as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global, mais de um terço da costa arenosa está ameaçado, segundo este estudo.

Seu desaparecimento teria um grande impacto sobre as atividades turísticas, mas não somente.

"Além do turismo, as praias de areia constituem com frequência o primeiro mecanismo de proteção contra as tempestades e inundações e, sem estas, os impactos dos fenômenos climáticos extremos seriam provavelmente muito mais fortes", advertiu Michalis Vousdoukas, que chefiou o estudo e é pesquisador do Centro Comum de Pesquisas da Comissão Europeia. "Devemos nos preparar", afirma. 

As praias de areia ocupam mais de um terço dos litorais marítimos do mundo e frequentemente se encontram em regiões densamente povoadas. Mas são ameaçadas pela erosão por causa das novas construções, do aumento do nível dos oceanos, tempestades, ameaçando assim as infraestruturas e a vida.

A Austrália poderia ser o país mais duramente afetado, com seus quase 15 mil km de praias arenosas apagadas do mapa em 80 anos, à frente de Canadá, Chile e Estados Unidos.

México, China, Rússia, Argentina, Índia e Brasil também estão entre os países mais vulneráveis.

Os cientistas trabalharam a partir de dois cenários ou modelos, do "pior", em que as emissões de gases de efeito estufa continuem em seu ritmo atual, ou outro, no qual o aquecimento global se limite a 3°C, um nível considerado elevado.

No pior destes casos, 49,5% das praias de areia desapareceriam, ou seja, aproximadamente 132.000 km de costa. No outro, ao redor de 95.000 km seriam afetados.

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) avaliava em um informe publicado em setembro passado que os oceanos poderiam aumentar em 50 cm até 2100 na melhor das hipóteses e em 84 cm na pior. No entanto, muitos cientistas acreditam que estas hipóteses são conservadoras.

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