Brasil só terá dinheiro de países ricos para ambiente após resultados, dizem embaixadores

Mensagem foi transmitida por diplomatas estrangeiros em conversa com novo chanceler, Carlos França, na sexta-feira (9)

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Brasília

O apoio financeiro de países ricos para que o Brasil preserve a Amazônia só será liberado após o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mostrar resultados efetivos no combate ao desmatamento.

A mensagem foi transmitida ao novo chanceler, Carlos França, por um grupo embaixadores estrangeiros na última sexta-feira (9).

França realizou uma videoconferência com os chefes das missões diplomáticas em Brasília de Alemanha, Reino Unido, Noruega, EUA e União Europeia.

A conversa fez parte dos preparativos brasileiros para a Cúpula do Clima, que o presidente americano, Joe Biden, realizará virtualmente na semana que vem.

A mensagem dos embaixadores foi clara: os recursos financeiros que o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) vem cobrando das nações desenvolvidas para a preservação do bioma só serão entregues caso o Brasil se mostre efetivamente comprometido com a redução da desmatamento e após resultados concretos no enfrentamento a ilícitos ambientais.

Salles vem afirmando que pode diminuir a devastação na Amazônia mediante colaboração financeira internacional.

França assumiu o Itamaraty no final de março, após a demissão de Ernesto Araújo. Em seu discurso de posse, em 6 de abril, França colocou o desenvolvimento sustentável como uma das prioridades da sua gestão.

"Aqui, como em outras áreas, vemos diante de nós a oportunidade de manter o Brasil na vanguarda do desenvolvimento sustentável e limpo", disse, na ocasião.

O novo ministro decidiu priorizar o tema por causa da crise de imagem internacional sofrida pelo Brasil, causada por declarações de Bolsonaro, pelo aumento do desmatamento na Amazônia e por uma onda de incêndios no Pantanal.

De acordo com o Deter, sistema de monitoramento de desmate do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a redução da floresta mensal na Amazônia voltou a crescer em março e bateu o recorde para o mês.

Os dados apontam 367,61 km² de desmatamento. O recorde anterior pertencia a 2018, com 356,6 km² destruídos, seguido por 2020, com 326,49 km² derrubados.

O ambiente se converteu, após a chegada de Biden à Casa Branca, no principal assunto da relação bilateral entre o Brasil e EUA.

No Itamaraty, a reunião organizada por Biden é considerada momento-chave no relacionamento bilateral. Os americanos pretendem observar a participação do Brasil para decidir se existe de fato uma mudança de rumos no governo Bolsonaro.

O temor do governo brasileiro é que uma atuação de Bolsonaro julgada como frustrante pelos EUA abra as portas para o aumento da pressão diplomática e econômica contra o país.

França realizou a videoconferência com os embaixadores para medir a temperatura e colher informações para auxiliar na preparação do discurso de Bolsonaro na reunião.

Ele chegou a perguntar aos diplomatas o que seus respectivos governos gostariam de ouvir no pronunciamento de Bolsonaro.

De acordo com relatos feitos à Folha, os chefes das missões diplomáticas ressaltaram que o Brasil tem um histórico de sucesso na redução do desmatamento na Amazônia, que passa pelo fortalecimento de agências ambientais e pelo combate à deflorestação ilegal.

Embora os embaixadores tenham terminado o encontro com uma impressão positiva sobre França –destacando que ele realizou a reunião para ouvir a opinião dos interlocutores—, eles permanecem preocupados com o alcance da sua influência sobre Bolsonaro.

Um interlocutor disse à Folha que Bolsonaro precisa enviar uma mensagem de que toda a administração federal está envolvida no objetivo de reduzir o desmatamento, e não apenas um ministério.

Ele lembra que as ações de enfrentamento ao desmatamento estão concentradas no Ministério do Meio Ambiente, cujo titular, Ricardo Salles, promove uma agenda de desregulamentação e afrouxamento de regras ambientais.

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