Em viagem aos EUA para debater 5G, Flávio Bolsonaro anuncia aporte do BID para preservação ambiental

Segundo o senador, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) investirá R$ 320 milhões na preservação ambiental

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Washington

Após três dias de reuniões nos Estados Unidos para debater a tecnologia 5G, o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) foi escalado nesta quarta-feira (9) para fazer um anúncio sobre investimentos na área de meio ambiente no Brasil —nas palavras dele, os resultados mais concretos da viagem.

O filho do presidente Jair Bolsonaro disse que o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) fará um aporte de cerca de R$ 320 milhões para a preservação ambiental e geração de energia com fontes alternativas. De acordo com o senador, serão R$ 120 milhões investidos pelo banco em projetos executados pela Caixa Econômica Federal no âmbito de preservação e R$ 200 milhões para a instalação das primeiras usinas de transformação de lixo em energia elétrica, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

“Queria falar da parte final [da viagem], principalmente, que acho que é a mais concreta, que foi com relação à reunião que tivemos hoje, no BID. (...) Nessa reunião, o presidente do BID [Maurício Claver-Carone] deu sinal verde para tudo o que eu vou falar agora”, afirmou Flávio durante coletiva de imprensa em Washington.

O senador disse que os investimentos são anúncios de “dinheiro novo”, um deles pedido direto do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que está sendo investigado pela Polícia Federal sobre exportação ilegal de madeira.

“Uma solicitação do ministro Ricardo Salles diz respeito sobre o aporte de algo em torno de R$ 200 milhões por parte do BID para que possamos promover a instalação das primeiras usinas de transformação de lixo em energia elétrica, a princípio nas maiores cidades brasileiras, que são São Paulo e no Rio de Janeiro. Na linha do que o ministro Salles e o presidente Bolsonaro sempre defenderam, de que temos um problema tão grande quanto a preservação das nossas florestas, que é preciso saber o que fazer nos grandes centros urbanos, que promovem grande parte da poluição no nosso país.”

O valor total do investimento do BID, de cerca de US$ 64 milhões, representa uma parcela pequena da carteira de investimentos do banco. Em março deste ano, a instituição já havia anunciado o lançamento de iniciativas para financiar projetos sustentáveis na Amazônia, com o aporte de US$ 20 milhões, visto que clima e diversidade são assuntos preferenciais na alocação de recursos do banco atualmente.

A política ambiental de Bolsonaro, por sua vez, é alvo de críticas no mundo todo e tem desgastado a imagem do presidente brasileiro no exterior. A Casa Branca já deixou claro que o meio ambiente vai determinar a amplitude das relações bilaterais entre Brasil e EUA, inclusive em termos comerciais, e parte dos auxiliares do Planalto tem agido para evitar o agravamento de crises nesta área.

Durante a Cúpula do Clima, promovida por Joe Biden em abril, Bolsonaro fez promessas de dobrar os recursos para a fiscalização ambiental, mas logo depois anunciou cortes na pasta do Meio Ambiente. Durante reunião com o czar do clima de Biden, John Kerry, o governo brasileiro foi cobrado pelas mudança de postura.

Ainda segundo Flávio Bolsonaro, o BID também se comprometeu a ajudar nos estudos para concluir as concessões de rodovias no estado de Santa Catarina —uma das prioridades de Bolsonaro— e nas regulamentações no setor de mineração, mas esses sem anúncio específicos de recursos.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, liderou uma comitiva nos EUA com mais de dez pessoas nesta semana para debater o 5G, entre elas os senadores Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira, que são suplentes da Comissão de Relações Exteriores. Estavam presentes ainda o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem, e ministros do TCU, órgão responsável por chancelar o edital do leilão do 5G, previsto para julho e já aprovado pela Anatel.

Depois de três dias em Washington, o grupo seguiu para Nova York, onde se reúne nesta quinta-feira (10) com investidores e representantes de empresa de telecomunicações. Na sexta (11), a comitiva retorna ao Brasil.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.