Ibama e governo de Pernambuco divergem sobre estratégia para combater óleo

Estado cobra boias de contenção e governo federal alega que técnica é ineficaz para o caso

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Italo Nogueira
Rio de Janeiro

Representantes do Ibama e do governo de Pernambuco expuseram neste domingo (20) divergências técnicas sobre como combater o óleo que vem poluindo desde o início de setembro o litoral do Nordeste.
O pivô da divergência é o uso de boias de contenção para evitar a chegada do material às praias e foz dos rios.

O secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, José Bertotti, criticou o fato do Ministério do Meio Ambiente não ter respondido uma solicitação de envio de 3,5 quilômetros de boias de contenção para proteger parte do litoral do estado.

O diretor de proteção ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo, afirmou que o equipamento "não tem se mostrado nada efetivo".

"Na maioria dos locais, elas [boias] não tem efeito técnico positivo nenhum. É importante que se entenda que, nesse momento, a gente quer encontrar uma tecnologia diferente, algo inusitado, algo que resolva o problema. Hoje o que se resolve o problema é monitorar e retirar esse material", disse Azevedo.

O diretor do Ibama afirmou que a estratégia do governo federal é retirar o óleo quando ele chega às areias.
"Retirar depois que chega é uma certeza técnica que nós temos", declarou ele, que diz estar referendado por uma assessoria internacional.

Bertotti, por sua vez, defendeu que se tente barrar a chegada do óleo ainda em alto-mar. Citou como exemplo a ação feita na quinta-feira (17) no litoral entre Alagoas e Pernambuco em que se retirou uma tonelada do resíduo antes de chegar à praia.

"Se as barreiras não são eficientes, elas podem minorar o problema. Há uma divergência técnica aqui. Pernambuco vai continuar perseguindo sua posição. Tecnicamente se faz o que está ao nosso alcance", disse Bertotti.

Em nota, o Ibama afirma que "barreiras de contenção são compostas por uma parte flutuante e outra submersa, chamada saia, que tem a função de conter o óleo superficial (substância com densidade menor que a da água), mas o poluente que atinge o nordeste do país se concentra em camada subsuperficial".

A divergência se deve às propriedades do óleo que atinge a costa brasileira. Mais denso do que o habitual, ele não se movimenta pela superfície --onde as boias têm mais efeito--, mas alguns metros abaixo da linha d'água.

"É um acidente totalmente inédito no Brasil, provavelmente também no mundo ocidental", disse o comandante de Operações Navais da Marinha, almirante Leonardo Puntel.

Bertotti também criticou a falta de envio pelo governo federal de equipamento para a retirada do resíduo que chegou às praias. Puntel afirmou que o governo federal vai ressarcir os estados por esses gastos.

O secretário do Meio Ambiente também criticou a demora na execução do Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água. Segundo ele, houve pouca coordenação com os estados no início do acidente. Os representantes do governo federal declararam que monitoram o óleo desde o dia 2 de setembro.

Até a sexta-feira (18), 187 locais de 77 municípios do Nordeste foram atingidos por manchas de óleo, segundo o Ibama. O Ministério Público Federal afirma que 2.100 km nos nove estados da região foram afetados desde o fim de agosto, quando as primeiras manchas de óleo foram avistadas na Paraíba.

Azevedo afirmou que o Ibama já identificou 67 animais atingidos pelo óleo, sendo 14 tartarugas mortas."Frente ao que se espera, e a quantidade de dias, a gente imaginaria que seria pior. Qualquer animal morto ou fauna atingida é preocupante. Mas o prejuízo para fauna, até o momento, não é aquilo que poderia acontecer", disse o diretor do Ibama. 

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