Siga a folha

Editado por Camila Mattoso, espaço traz notícias e bastidores da política. Com Fabio Serapião, Guilherme Seto (em férias) e Italo Nogueira.

Maranhão comprou da China, mandou para Etiópia e driblou governo federal para ter respiradores

Depois de ter sido atravessado por Alemanha, EUA e governo federal, estado montou operação de guerra

Continue lendo com acesso ilimitado.
Aproveite esta oferta especial:

1 ANO DE DESCONTO

3 meses por R$1,90

+ 9 de R$ 19,90 R$ 9,90

ASSINE A FOLHA

Cancele quando quiser

Notícias no momento em que acontecem, newsletters exclusivas e mais de 120 colunistas.
Apoie o jornalismo profissional.

Plano Para conseguir transportar 107 respiradores e 200 mil máscaras da China, o governo do Maranhão precisou montar o que tem chamado de uma operação de guerra com o envolvimento de 30 pessoas e custo de R$ 6 milhões. A logística foi traçada depois de terem reservado respiradores algumas vezes e terem sido atravessados por Alemanha, EUA e pelo próprio governo federal.

Em março, a gestão Flávio Dino (PC do B) reservou a compra de um lote de respiradores de uma fábrica de Santa Catarina, mas viu o governo federal bloquear a transação e distribuir os equipamentos segundo seus critérios.

Respiradores a caminho de aeroporto na China - Arquivo pessoal

Na sequência, reservou 150 respiradores na China, mas a Alemanha passou na frente, pagou mais e levou o pacote. Pouco depois, a frustração se repetiria, com os norte-americanos interferindo na negociação. No começo do mês, situação similar aconteceu com o governo baiano.

Rota Com a ajuda de uma importadora maranhense, o governo estadual passou a negociar com uma empresa de Guangzhou, que enviou os respiradores para a Etiópia, com o objetivo de escapar do radar da Europa e dos EUA.

O secretário estadual Simplício Araújo, de Indústria e Comércio, que coordenou a empreitada, diz que o cargueiro que saiu da China e aterrissou em São Paulo teve o frete pago pela mineradora Vale.

Ao chegar a São Paulo, a mercadoria foi colocada em avião fretado da Azul e mandada para o Maranhão, para só lá ser desembaraçada na Receita.

Respiradores dentro de avião, a caminho de São Luis - Arquivo pessoal

Urgência A liberação na alfândega não foi feita em SP para evitar que o governo federal retivesse os respiradores, como tem acontecido. A operação durou 20 dias e os equipamentos desembarcaram em São Luís na terça -feira (14).

"Se não fizéssemos dessa forma, demoraríamos três meses para conseguir essa quantidade de respiradores. Assim que os equipamentos chegaram já os conectamos para ampliar a nossa oferta de leitos de UTI", diz Araújo. Parte significativa dos R$ 6 milhões da operação foi paga por um grupo de empresários da região.

Atualmente, afirma o secretário, 60% dos leitos de UTI do estado estão ocupados, e há 630 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus. "Se o aumento do número de casos continuar nesse ritmo, na semana que vem estaremos estrangulados", prevê.

Respirador comprado da China em funcionamento no Maranhão - Arquivo pessoal

Com Mariana Carneiro e Guilherme Seto

Receba notícias da Folha

Cadastre-se e escolha quais newsletters gostaria de receber

Ativar newsletters

Relacionadas