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Saúde anuncia plano de R$ 1,5 bi para ampliar unidades de vigilância em até 3 anos

Secretários pedem debate sobre vacinas longe de 'ambiente de disputa'; representante do ministério cita preocupação

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Brasília

Em meio a críticas frequentes de demora em ter atuado contra a Covid-19, o Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (29) um projeto que prevê repassar, ao todo, R$ 1,5 bilhão a estados e municípios para ampliar unidades que atuam na prevenção, no monitoramento e no controle de doenças e emergências no país.

Entre as ações do projeto, chamado de VigiarSUS, a pasta prevê aumentar de 55 para 129 o número de Cievs (centro de informações estratégicas de vigilância em saúde), que visam o monitoramento de emergências.

Também prevê aumentar de 238 para 367 o número de unidades "sentinelas" que coletam, na rede de saúde, amostras de pacientes com quadros respiratórios --o que permite monitorar tanto a Covid-19 quanto os principais tipos de vírus da gripe em circulação, por exemplo.

Inicialmente, a pasta não informou em quanto tempo a ampliação ocorreria. "Hoje é o marco zero. O orçamento está garantido, e a partir de agora vamos expandir esse número", disse no evento o secretário de vigilância em saúde, Arnaldo Correia, evitando citar prazos.

Quase seis horas após o anúncio, porém, a pasta informou que parte das ações já está em curso e há prazos diferentes para cada eixo do projeto –que variam de dezembro de 2021, no caso de unidades sentinelas, a até três anos, caso do eixo que envolve os Cievs e ações na rede hospitalar.

Nos últimos meses, parte das medidas, como a ampliação de unidades sentinelas, já havia sido anunciada pela pasta --mas as metas da época, que chegavam a estender esse número para 500 no país, não foram atingidas.

O novo projeto, assim, revisa as metas dessas unidades e traz outras novas, como aumentar de 238 para 675 o número de núcleos de epidemiologia que respondem pela vigilância em hospitais. "É o maior investimento em vigilância em saúde da história do ministério", disse Correia sobre o total de R$ 1,5 bilhão.

O valor do projeto, no entanto, inclui também ações já anunciadas, como a realização de um inquérito soroepidemiológico por meio da Pnad-Covid, que prevê verificar a prevalência de pessoas já atingidas pela Covid-19 no país. A pesquisa é feita em conjunto com o IBGE e deve ocorrer até o primeiro trimestre de 2021, diz o ministério.

O anúncio ocorreu antes de uma reunião da pasta com representantes de secretários estaduais e municipais de saúde.

No encontro, membros do ministério evitaram comentar temas polêmicos, caso do decreto que chegou a prever a inclusão de unidades básicas de saúde no escopo de interesse de um plano de concessões e privatizações do governo, o PPI.

Em meio a uma guerra em torno das vacinas contra a Covid-19, o presidente do Conass, conselho que reúne secretários estaduais de saúde, Carlos Lula, fez um apelo para que discussões sobre a vacinação sejam retomadas longe de um "ambiente de disputa".

A declaração ocorre dias após a pasta, pressionada pelo presidente Jair Bolsonaro, recuar de um anúncio que previa a compra de 46 milhões de doses da vacina Coronavac, em desenvolvimento pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa Sinovac.

"Essa é a premissa: precisamos imunizar a população brasileira com segurança e o mais rápido possível. Sabemos que ocorreu a situação da semana passada, mas esperamos relevar isso tudo e ter condições de novamente pautar a discussão sobre vacinas", disse Lula.

"Precisamos retomar isso, com calma, afastado do ambiente de disputa. Sabemos que há decisões acima da gente, mas cabe a quem assessora os governantes ao menos apontar caminhos."

O secretário-executivo adjunto do ministério, Jorge Luiz Kormann, disse concordar. "Aliados ao presidente do Conass, estamos preocupados", afirmou.

Sem citar vacinas específicas, ele defendeu uma retomada das discussões sobre o planejamento da vacinação, pois "estamos encerrando o mês de outubro e nos resta pouco tempo para elaborarmos um planejamento factível."

Kormann disse ainda que a pasta está tomando providências para levantar as causas do incêndio que atingiu o hospital de Bonsucesso, que é ligado ao Ministério da Saúde.

Diagnosticado com Covid-19, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não participou do encontro.

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