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Atleta revelação do pentatlo brasileiro testa positivo em exame antidoping

Em 1º evento com testes no país, Victória Marchesini é pega com substâncias proibidas

A atleta de pentatlo moderno Victória Marchesini, 20, foi flagrada em exame antidoping - Kassius Trindade

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São Paulo

Considerada uma das promessas do pentatlo moderno brasileiro, Victória Marchesini, 20, foi flagrada em primeira amostra de exame antidoping realizado pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).

O campeonato nacional da modalidade, em dezembro, foi a primeira competição em que a Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno realizou testes antidoping nos atletas. O exame foi realizado em 15 de dezembro de 2018.

Na amostra de Victória, foram detectadas as substâncias Oxandrolona e GW 501516.

A primeira é um esteroide anabolizante androgênico. A substância é derivada da testosterona, hormônio sexual masculino. Entre outros efeitos, aumenta a massa muscular e diminui o tempo de recuperação dos atletas.

A Folha conversou com médicos especialistas em doping para que eles explicassem o efeito das substâncias encontradas na urina da atleta. Eles pediram anonimato. Consideram que qualquer manifestação pública pode influir no julgamento do caso. Se condenada, a atleta pode ser suspensa por até quatro anos.

O que chamou a atenção dos especialistas foi a presença da substância GW 501516, banida pelas autoridades antidopagem desde 2009. Ela é encontrada apenas no mercado negro e, em testes com camundongos, resultou em melhoria na resistência física, força e perda de peso.

"Mas os testes logo descobriram que esta molécula [GW 501516] causava câncer em diversos órgãos dos ratos. O laboratório abandonou esta substância em 2007. Em 2008, começou a aparecer no mercado negro", afirma o médico Luis Horta, consultor de antidoping que assessorou a ABCD (Associação Brasileira de Controle de Dopagem).

Ele falou sem saber quem era a atleta. A pedido da reportagem, analisou apenas os efeitos das substâncias.

"Advogados costumam argumentar na defesa que atletas foram flagrados com esteroides por causa de contaminação de suplemento alimentar. Eu nunca ouvi falar de contaminação com essa substância [GW 501516]", completa.

Com base no resultado, Victória está suspensa preventivamente. Segundo a documentação do extinto Ministério do Esporte, à qual a Folha teve acesso, a atleta já foi comunicada da suspensão.

Ministério do Esporte envia documento para Victória Marchesin a avisando que havia sido flagrada no doping - Reprodução

O pai de Victória, Flavio Nogueira, disse ter ficado surpreso com o procedimento.

"Victória é atleta amadora, nem sabe como isso aconteceu e está assustada", disse ele, que trabalha com a filha.

Ela também foi procurada, mas não respondeu aos contatos da reportagem.

Flavio Nogueira afirmou que a filha não possui apoio, orientação ou patrocínio.

"Ela sequer tem conhecimento de quais substâncias [pode usar] e nunca foi orientada [pela confederação]. Foi a primeira vez que ela fez esse tipo de exame. Estamos apurando e vamos verificar se houve a utilização ou não [das substâncias] e também em relação a uma eventual contraprova", disse Vinicius Cascone, advogado da atleta.

Se quiser, a atleta pode pedir a contraprova, um novo exame da mesma amostra para confirmar ou não o resultado.

Laudo de laboratório informa que a atleta testou positivo e lista as substâncias - Reprodução

Helio Meirelles, presidente da Confederação Brasileira de Pentatlo, não quis comentar.

"O assunto referente a doping, na sua fase inicial, preserva o sigilo entre a ABCD e o atleta", disse o dirigente.

O pentatlo moderno faz parte do programa olímpico e é composto por cinco provas: corrida, esgrima, hipismo, natação e tiro esportivo.

O Campeonato Brasileiro teve 70 participantes. Entre as provas, houve palestra com Marco Michelucci, especialista em medicina esportiva, que falou sobre doping e o teste que seria aplicado.

Em contato com a Folha, a assessoria do Ministério do Esporte, responsável pela ABCD, disse que a entidade não comentaria o caso.

"O Código Mundial Antidopagem determina que nenhuma organização antidopagem ou laboratório acreditado pela Agência Mundial Antidopagem, incluindo o corpo de funcionários, efetuará publicamente comentários sobre os dados concretos de qualquer caso pendente", afirmou.

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