Siga a folha

Descrição de chapéu Obituário Michael Lonsdale (1931 - 2020)

Ator francês Michael Lonsdale, vilão de '007', morre aos 89 anos

Artista trabalhou com diretores como Orson Welles e Luis Buñuel

Continue lendo com acesso ilimitado.
Aproveite esta oferta especial:

1 ANO DE DESCONTO

3 meses por R$1,90

+ 9 de R$ 19,90 R$ 9,90

ASSINE A FOLHA

Cancele quando quiser

Notícias no momento em que acontecem, newsletters exclusivas e mais de 120 colunistas.
Apoie o jornalismo profissional.

Paris | AFP

O ator Michael Lonsdale, vilão do filme de James Bond "007 Contra o Foguete da Morte" —do original "Moonraker", de 1979—, morreu nesta segunda-feira (21) em Paris aos 89 anos, após uma carreira de seis décadas e cerca de 200 papéis. O artista morreu em sua casa, anunciou seu agente Olivier Loiseau à AFP.

Filho de pai britânico e mãe francesa, Lonsdale, reconhecível por sua espessa barba, não recebeu, no entanto, seu primeiro grande prêmio até as vésperas de seus 80 anos, em 2011, por seu papel coadjuvante como o sacerdote livre e heroico de "Homens e Deuses", premiado em Cannes.

Católico batizado aos 22 anos, ele transmitiu sua própria fé em muitas ocasiões diante das câmeras, como em "O Processo", de 1962, de Orson Welles, "O Nome da Rosa", de 1986, de Jean-Jacques Arnaud, e "Ma Vie Est un Enfer", de 1991, de Josiane Balasko, em que interpretou o arcanjo Gabriel.

Ele também vestiu seu físico corpulento em outros hábitos –foi policial, assassino, juiz, duque, inimigo de James Bond e expôs as nádegas em cenas sadomasoquistas em "O Fantasma da Liberdade", de 1974, por Luis Buñuel.

O ator Michael Lonsdale em foto de 2011 - Etienne Laurent/AFP

Nascido em Paris em 24 de maio de 1931, da relação ilegítima entre um oficial inglês e uma francesa, Lonsdale cresceu em Londres e no Marrocos, onde, em 1942, soldados americanos lhe mostraram os filmes de John Ford, George Cukor e Howard Hawks.

Ao regressar a Paris em 1947, o então aluno preguiçoso, sem nem sequer um certificado de estudos, conviveu com seu tio Marcel Arland, diretor da revista literária NRF, o que lhe permitiu adquirir uma cultura que até então não lhe interessava.

Lonsdale debutou no teatro depois de ser orientado por uma renomada professora, Tania Balachova, que o ajudou a se livrar de sua grande timidez.

Rapidamente, mostrou interesse por experiências radicais, com obras como "Amédée ou Como se Desembaraçar Dele", de Eugène Ionesco, ao mesmo tempo em que se tornava ator fetiche e cúmplice de Marguerite Duras, com quem partilhava muitos risos.

Depois de saltar para a tela grande, ele multiplicou os experimentos. Além de Welles, filmou com François Truffaut e Louis Malle e atuou ao lado de Louis de Funès.

Solteiro e sem filhos, Lonsdale também foi um artista, pintor e emprestou sua voz inconfundível a inúmeros documentários e audiolivros, seja de Montaigne, Nietzsche, Proust ou são Francisco de Assis.

Ele se converteu à fé cristã pela influência de uma madrinha cega e, em 1987, ingressou na Renovação Carismática Católica antes de fundar o Magnificat, um grupo de oração para artistas.

Receba notícias da Folha

Cadastre-se e escolha quais newsletters gostaria de receber

Ativar newsletters

Relacionadas