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'Sapatinho Vermelho e os Sete Anões' é uma releitura desnecessária

Filme substitui camadas de possíveis interpretações da história clássica por trama mais rasa, mas com mensagem mais atual

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Sapatinho Vermelho e os Sete Anões

Avaliação: Regular
  • Quando: Em cartaz nos cinemas
  • Produção: Estados Unidos, Coreia do Sul, 2019
  • Direção: Sung-ho Hong
  • Duração: 91 min.

Este filme é melhor e mais bem intencionado do que sua campanha de lançamento fez parecer. O trailer do longa-metragem de animação dirigido ao público infantil, além de dar grandes spoilers, deixava a impressão de que a mensagem da trama era oposta à que se propõe passar –a de que é tudo bem cada pessoa ser do jeito que é, seja alta, baixa, gorda, magra, nova, velha.

E a primeira hora de “Sapatinho Vermelho e os Sete Anões” mostra mesmo a Branca de Neve mais gordinha conquistando o amor e a devoção dos sete anões quando descobre um par de sapatos que a transforma numa garota magra e delicada.

Ajuda esta crítica o fato de o filme ter sido visto também por duas meninas de sete anos, que não desgrudaram os olhos da tela, além de se emocionarem em várias passagens, e fazerem de Merlin, o príncipe e anão mais importante e eventual namoradinho de Branca de Neve, seu primeiro ídolo do sexo masculino numa animação. Até então, só bichos e personagens femininas as faziam soltar gritinhos de torcida.

E talvez só quem tiver filhos pequenos em férias escolares mas trancados em casa poderá dar o devido valor a quase duas horas de entretenimento, ainda que não da melhor qualidade, que leva tempo demais a chegar a seu objetivo, mas com uma mensagem final até que simpática.

A história original da Branca de Neve já recebeu diversas interpretações, e é considerada por muitos estudiosos de contos clássicos infantis como a que dá mais margem a leituras aprofundadas. Numa das mais conhecidas, cada anão significa um estado emocional de uma pessoa, e a jovem perdida na floresta precisa aprender a conviver com todos eles para se tornar independente.

Nessa versão, toda essa sutileza é jogada fora pelo roteiro modificado. Aqui, Branca de Neve é uma princesa gorducha que sem querer encontra um par de scarpins vermelhos que pertencem a sua terrível madrasta e que, quando colocados nos pés, a transformam em uma versão mais magra dela mesma, o que não a deixa nada satisfeita.

Com os anões a trama ousa ainda mais. Eles são sete príncipes da floresta, cada um com um dom especial, mas que confundem uma fada com uma bruxa e ela de vingança faz com que eles virem anões verdes, que só voltarão a ter seus visuais originais quando receberem um beijo de amor verdadeiro.

O resto basta intuir, a condução do entrecho é dos mais previsíveis. No percurso, cenas cômicas, de ação e de aventura, mantêm os pequenos espectadores atentos e os adultos só parcialmente aborrecidos. Alguns longas de animação das últimas décadas atingiram níveis de obras de arte. Não é o caso de “Sapatinhos Vermelhos”. Mas ele também não merece ser descartado antes de ser visto.

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