Corporações de servidores se apropriaram do país, diz Delfim Netto 

Para economista, Estado deve servir à sociedade e não ser um fim em si mesmo

O economista Antonio Delfim Netto em seu escritório em São Paulo - Eduardo Knapp - 26.jun.2017/Folhapress

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Flavia Lima
São Paulo

As corporações de servidores públicos se apropriaram do país e a população precisa aproveitar as próximas eleições para mudar esse quadro, disse nesta terça-feira (3), o ex-ministro Antônio Delfim Netto. 

“A aposentadoria média no Legislativo é 23 vezes a média do INSS [sistema geral de aposentadoria]. Essa burocracia se apropriou do país”, disse Delfim em fórum organizado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Delfim foi deputado federal por São Paulo por vários mandatos consecutivos. 

Segundo Delfim, o Estado precisa ser retomado como instrumento da sociedade e não um fim em si mesmo. 

“É um Estado antropofágico, que existe para si mesmo”, disse. 

No mesmo evento, a ex-secretária de Fazenda de Goiás e hoje sócia da consultoria Oliver Wyman, Ana Carla Abrão, criticou a estabilidade dos servidores públicos, regra que criaria, segundo ela, dificuldades de gestão. 

“Estamos tomados por corporações e não só de servidores públicos”, afirmou. 

Para ela, discutir o modelo de Previdência é uma questão de justiça social, pois hoje o sistema transfere renda para a população mais rica. 

PALANQUES

Ana Carla Abrão criticou também o que considera a “transformação de ministérios e bancos de desenvolvimento” —em referência ao BNDES— em palanques eleitorais.

Segundo ela, esses órgãos têm funcionado como trampolim político, mais do que instrumentos de planejamento duradouros. 

Como exemplo positivo de planejamento duradouro, citou o governo do Ceará, com gasto responsável e avanços na área educacional. 

Segundo ela, é preciso não repetir a campanha presidencial de 2014, na qual os problemas reais do país não foram debatidos.

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