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Carrefour limita compra por clientes em algumas de suas lojas devido à alta de preços

Medida tem como objetivo atender maior número de consumidores, diz rede de supermercados

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São Paulo

O Grupo Carrefour Brasil está limitando pontualmente, em algumas de suas lojas, a quantidade de produtos que podem ser comprados pelos clientes. A limitação vale para os itens da cesta básica mais impactados pela alta de preços, informou a rede de supermercados.

“Diante do atual cenário, o Grupo Carrefour Brasil está mobilizado em todos os seus formatos para que itens essenciais da cesta básica estejam disponíveis para os brasileiros a preços justos. Para atender ao maior número de clientes, pontualmente algumas lojas estão informando a limitação quantitativa dos itens mais impactados”, disse a empresa, em nota.

O Carrefour afirma ainda que segue trabalhando para reduzir os aumentos recebidos por parte dos fornecedores. E “ressalta a importância da atuação conjunta de todos os segmentos, que inclui o setor agrícola, indústria, varejo e representantes do governo, buscando as melhores soluções em benefício dos brasileiros.”

Fachada do Carrefour em São Paulo - Nacho Doce/Reuters

Nesta quarta-feira (9), o presidente de Abras (Associação Brasileira de Supermercados), João Sanzovo Neto, esteve reunido com Jair Bolsonaro (sem partido) para discutir a recente aceleração nos preços de itens da cesta básica.

Na saída do encontro, o representante do setor supermercadista alertou a população para o risco da estocagem e sugeriu a substituição de alimentos.

“​Nós vamos promover o consumo de massa, que é o macarrão, que é um substituto do arroz. E vamos orientar o consumidor a não fazer estoque. Porque quanto mais estocar, mais difícil fica a situação”, disse Sanzovo Neto.

O presidente da Abras também afirmou que o setor não aceitará ser tachado de vilão da alta de preços.

“Não vamos ser vilões de uma coisa da qual não somos responsáveis, muito pelo contrário”, disse. “Nós somos a ponta, nós estamos próximos ao consumidor. E, assim que sentimos que havia uma pressão muito forte de preços, fizemos um alerta ao governo”, afirmou.

Na quinta-feira passada (3), a Abras e outras associações do setor de supermercados lançaram cartas públicas chamando a atenção para a alta de preço de itens da cesta básica, que chega a superar 20% no acumulado de 12 meses em produtos como leite, arroz, feijão e óleo de soja.

No dia seguinte, o presidente Jair Bolsonaro pediu “patriotismo” aos supermercadistas, dizendo que eles devem reduzir suas margens ao mínimo para evitar uma alta ainda maior do preço dos alimentos básicos.

Nesta quarta-feira, o governo decidiu zerar a alíquota do imposto de importação para o arroz em casca e beneficiado até 31 de dezembro deste ano. A medida busca conter a alta no preço do alimento. A redução temporária está restrita a quota de 400 mil toneladas.

Também nesta quarta, a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) do Ministério da Justiça notificou a Abras e representantes de produtores de alimentos, cobrando explicações sobre o aumento do preço de itens da cesta básica.

Mais cedo, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA, índice oficial de inflação no país, fechou agosto em alta de 0,24%, acumulando avanço de 2,44% em 12 meses e de 0,70% no ano.

O grupo alimentação e bebidas registrou inflação de 0,78% em agosto e acumula alta de 4,91% nos oito meses de 2020.

O arroz (com alta de preço de 3,08% em agosto) acumula avanço de 19,25% no ano, destacou o instituto.

Já o feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%. O feijão preto, muito consumido no Rio de Janeiro, acumula alta de 28,92% no ano e o feijão carioca, de 12,12%.

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