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Mais 1,1 milhão saem em busca de vaga e taxa de desemprego dispara

Na quarta semana de agosto, indicador do IBGE atingiu maior nível desde o início da pandemia

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Rio de Janeiro

A volta dos brasileiros às ruas já começa a pressionar a taxa de desemprego, que na quarta semana de agosto bateu 14,3%, o maior nível desde o início da pandemia. São, ao todo, 13,7 milhões de desempregados, informou nesta sexta (18) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em uma semana, segundo o instituto, 1,1 milhão de pessoas ingressaram na fila do emprego no país, o que explica a pressão sobre a taxa de desemprego, que saltou de 13,2% para 14,3% — o indicador considera apenas as pessoas que disseram ter ido atrás de uma vaga no período pesquisado.

No início da pandemia, com a população em isolamento e o comércio fechado na maior parte do país, a taxa de desemprego medida pela Pnad Covid, pesquisa semanal criada pelo IBGE para avaliar os impactos da pandemia no mercado de trabalho, era de 10,5%.

O indicador, porém, escondia o contingente de pessoas que deixou de procurar trabalho por medo de contaminação ou por achar que não encontraria uma vaga. “O mercado de trabalho estava em ritmo de espera para ver como as coisas iam se desenrolar”, diz a coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira.

“As empresas estavam fechadas e não tinha local onde essas pessoas pudessem trabalhar. À medida que o distanciamento social vai sendo afrouxado, elas vão retornando ao mercado de trabalho em busca de atividades”, completa ela.

A evolução do desemprego medido pela Pnad Covid confirma expectativas de economistas sobre a possibilidade de explosão da taxa a partir do relaxamento das medidas de isolamento social, com mais gente na rua em busca de vaga.

E trazem outro alerta: o número de brasileiros ocupados não cresceu, como se esperava que aconteceria com o fim do isolamento. Na última semana de agosto, eram 82,2 milhões de pessoas, contra 82,7 milhões na semana anterior.

O IBGE considera a variação como uma estabilidade, mas o economista da LCA Associados Cosme Donato diz que o fato de não ter havido alta já preocupa. “A gente esperava uma retomada imediata da população ocupada, com o informal correndo para as ruas para complementar a renda”, diz.

Na sua avaliação, a renda garantida pelo auxílio emergencial e o medo de contaminação podem estar mantendo os informais em casa. Eles foram os mais atingidos pelo desemprego na pandemia, enquanto o emprego formal foi beneficiado por programas de apoio federal, como a suspensão de contratos e redução da jornada.

O fim próximo desses programas é outro fator que deve pressionar o mercado de trabalho em breve. Em relatório publicado nesta sexta (18), analistas da Guide Investimentos lembraram que pesquisa feita pela FGV/Ibre com o setor de serviços indica “uma nova onda de demissões” para o início de 2021.

Donato prevê que, com o fim dos programas de apoio e do auxílio emergencial, a taxa oficial de desemprego, que é medida por pesquisa do IBGE chamada Pnad Contínua, atinja o pico de 18% em março.

A projeção diz, é conservadora, porque considera que o ritmo de aumento no número de pessoas em busca de emprego seja menor do que a velocidade do tombo nesse indicador após o início da pandemia. Caso o ritmo seja maior, a taxa de desemprego pode chegar a 25%.

Segundo o IBGE, há hoje 26,7 milhões de brasileiros que gostariam de trabalhar mas não procuram vagas. Eles fazem parte de um grupo de 74,4 milhões de pessoas que estão fora da força de trabalho, porque não têm necessidade ou interesse em trabalhar ou porque desistiram de procurar

Por usarem períodos diferentes, os dados da Pnad Covid não devem ser comparados ao da Pnad Contínua, que fechou o segundo trimestre em 13,3%, a maior para o período desde que a pesquisa começou a ser feita no formato atual.

A pesquisa do IBGE constatou que, com a reabertura da economia, o número de pessoas que dizem respeitar isolamento de forma rigorosa caiu pela segunda semana seguida. Na última semana de agosto, foram 38,9 milhões, queda de 6,5% em relação à semana anterior.

Para a coordenadora da pesquisa, há relação direta entre o aumento das pessoas em busca de trabalho e a flexibilização do isolamento social. “A gente está vendo uma maior flexibilidade das pessoas, uma maior locomoção em relação ao mercado de trabalho, pressionando o mercado de trabalho, buscando emprego”, afirma.

Com a reabertura das lojas, indústria, comércio e serviços começaram a reagir ao tombo inicial da pandemia. Os dois primeiros já acumulam três meses de alta consecutiva. O último reage de forma mais lenta, mas chegou ao segundo mês de alta.

Segmentos industriais que tiveram grandes demissões no início da pandemia, como têxtil e calçadista, começaram a repor empregados diante do aumento das encomendas. Em julho, o país teve um saldo positivo de 131 mil empregos formais gerados.

Os dados do IBGE mostram, porém, que a pandemia afetou mais o trabalhador informal, que foi impedido de ir às ruas prestar seus serviços. Já as vagas formais foram beneficiadas pelos programas do governo para preservar o emprego.

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