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Trump dá aval para acordo que permite à TikTok manter operações nos EUA

Negócio com Oracle e Walmart sai semanas depois de app chinês ser rotulado como ameaça à segurança nacional

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Andrew Restuccia John D. McKinnon Georgia Wells
Washington e San Francisco | The Wall Street Journal

O presidente Donald Trump disse que deu aval a um acordo segundo o qual o aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok, de propriedade chinesa, fará parceria com a Oracle e o Walmart para se tornar uma empresa com sede nos Estados Unidos. Isso encerraria negociações que geraram discussão sobre a segurança nacional e o futuro da internet.

"Dei minha bênção ao acordo; se eles o fizerem, ótimo, se não o fizerem, tudo bem", disse Trump a repórteres na Casa Branca no sábado (19).

Pelos termos do acordo, Walmart e Oracle dividiriam uma participação de 20% em uma nova entidade com sede nos Estados Unidos que operará a TikTok, com a Oracle provavelmente ficando com uma parte um pouco maior entre os dois, segundo uma pessoa familiarizada com o negócio.

Trump disse neste sábado (19) ter dado aval para acordo que permite à TikTok manter operações nos EUA - Kevin Lamarque/Reuters

Essa fonte disse que, pelo acordo, as empresas e os investidores americanos teriam 53% da propriedade –tendendo às exigências de Washington de que a nova empresa fique sob controle americano.
Os investidores chineses teriam uma participação de 36%, e outros investidores, na maior parte europeus, 11%, disse essa pessoa.

O presidente afirmou que o acordo resultará na criação de 25 mil empregos, principalmente no Texas, acrescentando que a nova empresa continuará se chamando TikTok e "não terá nada a ver com a China".
Trump acrescentou que a Oracle e o Walmart estão planejando criar um fundo de US$ 5 bilhões para a educação de jovens americanos. Ele não deu mais detalhes.

As negociações sobre as operações da TikTok nos Estados Unidos começaram depois que o presidente assinou uma ordem executiva em agosto que rotulou a TikTok como ameaça à segurança nacional, forçando seu proprietário, a ByteDance Ltd., com sede em Pequim, a buscar uma venda ou sociedade com uma empresa americana.

O governo afirma que os dados que a TikTok coleta de usuários nos EUA podem ser compartilhados com o governo chinês. A TikTok disse que nunca entregaria esses dados.

A Oracle derrotou várias outras empresas que manifestaram interesse pela TikTok, incluindo Microsoft e Twitter.
Em resposta à ordem executiva de Trump em agosto, o Departamento de Comércio emitiu na sexta-feira (18) regulamentações proibindo as empresas americanas de fornecer downloads ou atualizações do TikTok após as 23h59 de domingo (20) –0h59 de segunda (21) pelo horário de Brasília. O pedido também vale para WeChat, outro aplicativo popular de propriedade chinesa que não faz parte das discussões do negócio.

A ByteDance está travada em negociações sobre como lidar com as preocupações de segurança do governo dos Estados Unidos, e nesta semana parecia avançar em direção a um acordo que poderia ser assinado por Trump.
O presidente disse a repórteres na sexta que esperava tomar uma decisão em breve sobre a sociedade.

"Eles vão me mostrar tudo daqui a pouco no TikTok", disse o presidente a repórteres na Casa Branca antes de partir para um comício em Minnesota. "Vamos tomar uma decisão bastante rápida. Não acho que devamos adiá-la muito", acrescentou ele, chamando o TikTok de "um ativo incrível".

A decisão de sexta-feira do Departamento de Comércio pareceu em princípio criar um novo obstáculo, mas os comentários do presidente foram recebidos pelos participantes do acordo como um sinal positivo de que haverá uma resolução em breve.


As negociações já seguiam contra um prazo final no domingo, em consequência da ordem executiva de agosto. A medida do Departamento de Comércio esclareceu e definiu como a proibição de domingo funcionaria se as partes não conseguissem chegar a um acordo satisfatório para o governo dos EUA.

Em comunicado, a TikTok disse que sua proposta ao governo americano contém níveis sem precedentes de transparência e prestação de contas sobre como lida com os dados de usuários, e que ela discorda da medida do Departamento de Comércio. A empresa entrou com uma ação questionando a ordem executiva de agosto.

"Nossa comunidade de 100 milhões de usuários nos Estados Unidos ama o TikTok porque é um lar para entretenimento, autoexpressão e conexão, e estamos comprometidos em proteger sua privacidade e segurança enquanto continuamos trabalhando para levar alegria às famílias e carreiras significativas para aqueles que criam em nossa plataforma", disse a TikTok.
O app TikTok é extremamente popular entre os jovens nos Estados Unidos, e seu destino tem sido observado de perto pelos fãs, bem como pelos principais executivos do Vale do Silício.

Adam Mosseri, presidente-executivo do Instagram, que pertence ao Facebook, tuitou na sexta-feira (18) que uma proibição do TikTok nos Estados Unidos "seria muito ruim para o Instagram, Facebook e a internet de forma mais ampla".

O Instagram lançou no início deste ano um novo serviço chamado Reels que inclui muitos recursos semelhantes ao TikTok e foi visto como uma potencial ameaça ao aumento da popularidade do aplicativo.

Vanessa Pappas, chefe interina da TikTok, rapidamente expressou seu acordo com Mosseri e desafiou sua empresa a fazer mais.

"Convidamos o Facebook e o Instagram a aderir publicamente ao nosso desafio e apoiar o nosso litígio. Este é um momento para deixarmos de lado nossa competição e enfocar princípios fundamentais como liberdade de expressão e o devido processo legal", disse ela no Twitter.

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