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Plataformas ajudam a popularizar investimento de pessoa física em startup

Equity crowdfunding, como são chamadas, têm o melhor momento desde 2017

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São Paulo

O mercado de startups inicia uma nova fase no Brasil com a popularização de investimento por pessoas físicas. Nos últimos meses, empresas de financiamento coletivo (equity crowdfunding, em inglês) registraram o melhor desempenho desde 2017, quando a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) regulamentou esse sistema.

Plataformas digitais como CapTable, EqSeed, SMU Investimentos e Kria ajudam a popularizar o aporte em empresas de base tecnológica e vivem bom momento com a conjuntura de juros baixos e de procura por ativos como renda variável, onde se enquadram as startups.

Até há pouco tempo, o investimento em tecnologia, em especial nas pequenas empresas, era território para investidores institucionais, condicionados a altas cifras, e fundos de venture capital.

Brian Begnoche, sócio-fundador da EqSeed, plataforma de captação de recursos de pessoas físicas para startups - Divulgação

Hoje, com cadastro simples em um site e quantias mínimas de R$ 500, R$ 1.000 ou R$ 5.000, qualquer pessoa pode apostar em startups, na esperança de que conquistem o supervalorizado posto da disrupção —quando captam ou criam uma demanda específica de mercado, como fizeram os aplicativos de transporte, de namoro ou as redes sociais.

A partir de uma conta em plataformas equity crowdfunding, as intermediárias entre o investidor e a startup, pessoas atreladas ao CPF podem criar suas carteiras de opções. O trabalho principal do site mediador é apresentar uma seleção de startups pré-filtradas com potencial de lucro no médio ou longo prazo.

“É um processo rígido de seleção. Menos de 1% das empresas que se candidatam para captar recurso são aprovadas para lançar rodadas na plataforma”, diz Brian Begnoche, sócio-fundador da EqSeed.

Ao pôr suas fichas em startups, investidores esperam pelo processo de “exit” (saída, na tradução do inglês): quando elas são vendidas com suas participações ou quando abrem capital na Bolsa. Outra alternativa é esperar que investidores maiores adquiram suas fatias em alguma rodada de captação.

O resultado é o mesmo: ganho pela venda de participações, que tendem a valorizar se a empresa crescer. Na EqSeed, duas startups realizaram “exit” nos últimos meses, fechando o ciclo todo de investimento, o que foi inédito para a companhia. Outras empresas ouvidas pela Folha relatam movimentação financeira superior ao pré-Covid.

Em setembro de 2020, a carteira digital DinDin foi vendida ao Bradesco. No mês passado, a Pegaki, de logística, foi adquirida pela Inteligipost, uma companhia do mesmo setor.

A maior parte dos entusiastas desse grupo é considerada qualificada, que na definição da CVM significa detentores de investimentos iguais ou maiores que R$ 1 milhão. São pessoas com capacidade financeira para suportar riscos e aguardar retorno por até uma década.

Também podem perder todo o valor depositado, caso a empresa não dê resultados.

Especialistas fazem o alerta de que esse tipo de investimento é indicado a quem tem aportes em outros ativos e que esteja pronto para perder. Aos investidores qualificados a indicação é colocar no máximo 10% do patrimônio disponível para novos investimentos e apostar em várias startups ao mesmo tempo como forma de reduzir o risco.

O lucro costuma ser demorado porque são necessárias várias rodadas de captação até que as startups atinjam musculatura para serem compradas.

Com base nos resultados recentes, a expectativa das plataformas de equity crowdfunding são positivas para 2021. Na CapTable, operante desde julho de 2019, com sede em Porto Alegre, os investimentos deram uma guinada a partir de julho passado, segundo Guilherme Enck, um dos sócios.

“Foram volumes muito superiores aos da pré-pandemia”, diz. “Após os dois, três primeiros meses da pandemia, os investidores saíram da estagnação e procuraram ativos para pôr dinheiro, vendo que o cenário de juros baixos viria para ficar.”

Até agora, a plataforma captou R$ 17 milhões. A meta para este ano é de R$ 100 milhões para 40 startups. Uma das motivações para projeção tão otimista, segundo Enck, é a possibilidade de regulamentação do mercado secundário pela CVM, o que poderá possibilitar a compra e a venda de títulos entre investidores.

Além de juros baixos, a pandemia beneficiou o investimento em empresas digitais, com as companhias de internet e de ecommerce, que registraram faturamentos históricos, a exemplo de Amazon e Mercado Livre.
Do lado do empreendedor, a sistemática de financiamento coletivo é vista como uma alternativa para simplificar a relação com financiadores, às vezes difíceis de encontrar.

Esse modelo também cria um ciclo virtuoso, segundo agentes financeiros, ao movimentar o dinheiro ganho com startups em outras empresas do tipo. Foi o que firmou esse modelo nos EUA e o consolidou no Reino Unido, uma referência no nicho, onde é possível comprar participações com quantias inferiores a R$ 1.000.

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