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Em discurso na ONU, Bolsonaro deve dizer que críticas a queimadas são equivocadas

Declaração do presidente foi escrita nesta terça, e gravação em vídeo deverá ser enviada até sexta

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Brasília

No discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o presidente Jair Bolsonaro pretende dizer que​ são equivocadas as críticas de estrangeiros às queimadas no país.

No vídeo, que será enviado até a sexta-feira (18), o líder brasileiro deverá afirmar que há exagero na imagem negativa criada no exterior sobre a política ambiental do país.

Bolsonaro ainda deve citar dados oficiais que demonstram, segundo ele, que houve um recuo nos focos de calor no país. Hoje, o Brasil vê registros de incêndios na Amazônia e no Pantanal.

Segundo auxiliares palacianos, o discurso foi escrito nesta terça-feira (15). O presidente consultou os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Ricardo Salles (Meio Ambiente).

Devido à pandemia, os discursos dos líderes mundiais serão gravados, para evitar aglomerações na sede da ONU, em Nova York. Por tradição, o chefe de Estado brasileiro é o primeiro a discursar.

Na fala, a ser transmitida na terça-feira (22), Bolsonaro também deverá reforçar o respeito à soberania dos países que formam a região amazônica. Vai dizer que o Brasil atua para diminuir focos de queimadas e promover o desenvolvimento econômico de populações locais.

Um dos dados que deverão ser citados, de acordo com assessores, é o de que, no fim de agosto, foram registrados na floresta amazônica 5.000 focos de fogo a menos do que no mesmo período em 2019.

​Nesta terça, no entanto, dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostraram que, nos primeiros 14 dias de setembro, já houve mais queimadas na floresta amazônica do que em todo o mês de setembro do ano passado.

No Pantanal, sem perspectiva de trégua, o incêndio deste ano já consumiu ao menos 2,3 milhões de hectares —ou 16% de sua área. É a maior destruição desde o início da série histórica iniciada em 1999.

Recentemente, Hamilton Mourão, vice-presidente e chefe do Conselho da Amazônia, e o ministro Salles compartilharam vídeo que afirmava que a Amazônia não estava queimando.

Posteriormente, o vídeo, que contava, em seu final, com o logo de uma associação pecuária do Pará, foi tirado do ar pelo Twitter por violar direitos autorais.

O ambiente não será o único tema abordado pelo presidente no discurso. A pandemia da Covid-19 será citada pelo presidente, que pretende criticar políticas de isolamento total que prejudicaram a atividade econômica do mundo.

Segundo auxiliares, Bolsonaro tem a intenção de lembrar que, desde o início da crise sanitária, defendeu um isolamento vertical, que incluísse apenas os grupos de risco. Segundo ele, essa medida poderia ter diminuído o impacto na economia.

O presidente ainda não definiu se citará a hidroxicloroquina, medicamento defendido por ele no combate à doença. O remédio, porém, não tem comprovação científica de eficácia contra o novo coronavírus.

Ele deverá incluir ainda uma referência ao auxílio emergencial. Segundo ele, a iniciativa impediu que mais brasileiros sofressem com os efeitos colaterais da pandemia de Covid-19.

O auxílio foi criado em abril. Foram pagas até agosto cinco parcelas de R$ 600, beneficiando mais de 60 milhões de pessoas. O programa foi estendido até dezembro, em mais quatro parcelas de R$ 300.

O presidente brasileiro também deverá abordar, segundo assessores, a defesa das reformas administrativa e tributária e o esforço de seu governo em diminuir o tamanho da máquina pública.

Como no ano passado, ele pretende dizer que, diferentemente de gestões passadas, não há escândalos de corrupção em sua administração. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, porém, foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais sob acusação de envolvimento no esquema de candidaturas de laranjas do PSL, caso revelado pela Folha.

O filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), também é investigado por denúncias de irregularidades da época em que era deputado estadual pelo Rio. Ele é alvo do caso das rachadinhas.

O ex-assessor de Flávio e amigo do presidente, o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, foi preso em junho na casa do advogado de Bolsonaro, em Atibaia (SP), Frederick Wassef. Agora, ele e a mulher, Márcia Aguiar, cumprem prisão domiciliar preventiva.

A quebra de sigilo do ex-assessor mostrou que ele e Márcia fizeram depósitos na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que somam R$ 89 mil. Questionado, Bolsonaro até o momento não deu explicações.

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