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Polícia prende mais de 280 em novos protestos dos coletes amarelos na França

Agentes usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes em Paris

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Paris | Reuters

Mais de 280 pessoas foram presas no sábado (12), na França, em novos protestos do movimento dos coletes amarelos, que surgiu em 2018 contra um novo imposto sobre combustíveis e se desenvolveu para demandas mais amplas questionando o alto custo de vida no país.

Centenas de pessoas participaram de dois protestos diferentes em Paris, que começaram ao meio-dia. Um deles ocorreu de forma pacífica, enquanto o outro foi dispersado pela polícia após alguns manifestantes colocarem fogo em um carro.

Policiais da tropa de choque em frente a um carro em chamas em Paris, na França - Gonzalo Fuentes - 12.set.2020/Reuters

A polícia prendeu 275 pessoas só na capital, a maioria acusada de portar itens que poderiam ser usados como armas. Alguns manifestantes carregavam bandeiras antifascistas —o movimento, cujo nome deriva dos coletes de segurança amarelos usados pelos manifestantes, é disputado entre esquerda e direita e não tem líderes definidos.

A polícia buscou impedir que as marchas chegassem à avenida Champs-Elysées, no centro de Paris, palco dos protestos mais intensos durante o auge do movimento, no final de 2018. Lojas na famosa rua amanheceram cobertas de tapumes a fim de evitar saques.

As autoridades também pediram aos manifestantes que utilizassem máscaras faciais, obrigatórias na capital, para prevenir o contágio do coronavírus.

A França enfrenta uma segunda onda da doença, com 10 mil novos casos registrados em apenas um dia na quinta (10). No total, o país tem 373 mil casos e 30 mil mortes.

O primeiro-ministro, Jean Castex, anunciou na sexta (11) novas medidas de combate à pandemia, com um plano para aumentar testes e restrições em algumas cidades. O país tenta evitar um retorno ao lockdown nacional do início do ano.

O movimento dos coletes amarelos ("gilets jaunes", em francês) surgiu em novembro de 2018 contra um novo imposto sobre combustíveis fósseis sugerido pelo presidente, Emmanuel Macron. Os manifestantes passaram a incluir em suas demandas o fim da alta carga tributária e a defesa de serviços públicos, enquanto se posicionam contra uma reforma da previdência proposta pelo governo.

Em 24 de novembro daquele ano, mais de cem mil pessoas foram às ruas no país, muitas vezes entrando em confronto com a polícia. Ao final do mês, os protestos deixaram 585 civis e 116 agentes feridos em toda a França.

A intensidade dos protestos fez com que Macron voltasse atrás no novo imposto e prometesse aumentar o salário mínimo em 100 euros (cerca de R$ 445, na época), e cortar taxas de aposentadoria.

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