Siga a folha

Descrição de chapéu refugiados

EUA adotarão a menor cota para refugiados desde 1980

Gestão Trump afirmou que, com a medida, prioriza 'segurança e bem-estar dos americanos'

Conteúdo restrito a assinantes e cadastrados Você atingiu o limite de
por mês.

Tenha acesso ilimitado: Assine ou Já é assinante? Faça login

Washington | Reuters e AFP

O governo Donald Trump anunciou que acolherá apenas 15 mil refugiados nos EUA nos próximos 12 meses, quando é contabilizado o ano fiscal de 2021. É a cota mais baixa desde a criação do programa para refugiados no país, em 1980.

O departamento de Estado afirmou na noite de quarta-feira que a restrição reflete a priorização da “segurança e do bem-estar dos americanos, especialmente à luz da pandemia de Covid-19”.

O governo recomendou que os refugiados de guerra sejam realocados para lugares mais próximos aos seus países de origem, e que os EUA estenderão o asilo a milhares de pessoas por meio de um processo separado.

Desde que tomou posse, Trump promoveu cortes agressivos na política de aceitação a refugiados.

Ao deixar a Casa Branca, o ex-presidente Barack Obama estipulou que até 110 mil pessoas poderiam ser acolhidas em 2017. Nos anos seguintes, Trump reduziu as cotas para 45 mil em 2018, 30 mil em 2019 e 18 mil em 2020 —das quais apenas 11 mil foram efetivamente preenchidas.

A gestão foi criticada por abandonar o papel histórico dos EUA como abrigo para pessoas perseguidas em seus países de origem, o que também afeta negativamente outros objetivos de política externa.

Questionado sobre a redução, o secretário de Estado Mike Pompeo afirmou que não havia “nenhum país mais generoso que os EUA” em relação a prestação de assistência humanitária.

A ex-candidata pelo partido democrata ao governo de Maryland e presidente do Serviço de Imigração e Refúgio para Luteranos, Krish Vignarajah, escreveu no Twitter que os cortes recentes representam “uma abdicação completa do nosso dever moral e de tudo que representamos enquanto nação”.

O candidato democrata à Presidência, Joe Biden, promete, caso ganhe a eleição em novembro, elevar as cotas de acolhimento para 125 mil.

Das 15 mil cotas disponíveis para os próximos 12 meses, 5.000 serão destinadas a refugiados perseguidos devido à sua religião, 4.000 a refugiados iraquianos que ajudaram os EUA e mil a refugiados de El Salvador, Guatemala e Honduras. Sobram apenas 5.000 para os demais grupos.

O processo de obtenção de asilo nos EUA é sabidamente complexo e burocrático e foi acusado de usar critérios falhos e subjetivos para escolher quem pode viver no país.

Nos cinco anos seguintes à invasão do Iraque pelos EUA, por exemplo, o país aceitou apenas 800 refugiados iraquianos; no ano passado, das 4.000 vagas destinadas a pessoas pedindo refúgio do Iraque, somente 123 foram de fato aceitas e realocadas no país.

Para efeito de comparação, os EUA providenciaram asilo a mais de 100 mil refugiados vietnamitas durante a Guerra do Vietnã (1955-1975).

O presidente da ONG Refugees International, Eric Schwartz, disse que a ação do presidente decepciona, mas não surpreende. “Faz parte de uma estratégia geral de alarmismo e difamação dos refugiados”, disse ele, que foi responsável pela política de refúgio na gestão Obama (2009-2017).

Manar Waheed, da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), afirmou que Trump tenta exterminar os sistemas de imigração “para assegurar que os imigrantes negros, árabes e latinos não tenham refúgio na nossa nação”.

Receba notícias da Folha

Cadastre-se e escolha quais newsletters gostaria de receber

Ativar newsletters

Relacionadas