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Prisão de Richa preserva depoimentos e testemunhas, diz juiz

Candidato ao Senado pelo PSDB, Richa foi preso por fatos que ocorreram entre 2012 e 2014

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Estelita Hass Carazzai
Curitiba

Responsável pela ordem de prisão temporária do ex-governador do Paraná Beto Richa, atual candidato ao Senado pelo PSDB e detido nesta terça-feira (11), em meio à campanha eleitoral, o juiz Fernando Fischer justificou que a medida é necessária para “garantir a isenção dos testemunhos colhidos” e evitar a destruição de provas e a intimidação de testemunhas.

“É inegável que entre os investigados há pessoas que gozam de elevado poder político ou econômico”, escreveu Fischer em sua decisão, para quem o grupo “conserva sua influência e poder” mesmo fora do governo.

Os defensores questionaram a necessidade das prisões e acusaram o Ministério Público de “oportunismo” –os fatos investigados ocorreram entre 2012 e 2014.
 

O então governador do Paraná, Beto Richa, durante na Convenção Nacional do PSDB em Brasília - Pedro Ladeira - 05.jul.2015/Folhapress

Richa foi governador do Paraná por dois mandatos, entre 2011 e 2018, e renunciou ao cargo em abril, para ser candidato ao Senado. É filho do ex-governador José Richa (1983-1986), já morto, e casado com Fernanda Bernardi Vieira Richa, que foi sua secretária de Família e é neta de um dos fundadores do banco Bamerindus.

O tucano deixou sua então vice-governadora, Cida Borghetti (PP), no cargo –que concorre à reeleição e declarou que “cada um responde por seus atos”.

“As pessoas ora investigadas são detentoras de alto poder financeiro e de mando, que nunca, ou quase nunca, tiveram consequências judiciais criminais de seus atos”, escreveram os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), ligado ao Ministério Público Estadual, no pedido de prisão.

Além de Richa, foram detidos a sua esposa, Fernanda; o seu irmão e ex-secretário de Infraestrutura, Pepe Richa; o primo Luiz Abi; o seu ex-chefe de gabinete, Deonilson Roldo; e outras dez pessoas. Todos negam irregularidades.

O grupo é suspeito de participar de fraudes à licitação em estradas rurais do Paraná, entre 2012 e 2014, apropriando-se dos valores ilícitos.

Coordenador do Gaeco, o procurador Leonir Batisti afirmou à Folha que a operação só foi deflagrada neste momento porque “as evidências jurídicas surgiram agora”. 

A investigação teve início com a delação de Tony Garcia, ex-deputado estadual e antigo aliado de Richa, que já foi condenado por crimes financeiros e firmou colaboração com o Ministério Público Estadual no início de julho. O inquérito foi instaurado no dia 15 de agosto.

Foi Garcia quem acusou Richa de comandar um esquema de arrecadação no governo do Paraná, e levou gravações em que conversa com o ex-governador sobre supostos acertos ilícitos.

“A corrupção sempre é cometida na sombra; é muito difícil de quebrar”, disse Batisti, destacando a relevância do depoimento do delator. 

O procurador negou motivação eleitoral, e ressaltou que a investigação ainda está em andamento. “A simples narrativa de alguém não serve para condenar; nós precisamos nos ancorar em provas materiais, que é o que estamos fazendo.”

O Gaeco colheu centenas de documentos nas casas e escritórios dos investigados, e deve ouvir Richa e os demais detidos a partir de amanhã.

A advogada de Richa, Antonia Neves Sanches, afirmou que não há razão para a prisão, e acusou o Ministério Público de “oportunismo” ao deflagrar a operação em período eleitoral.

O defensor de Fernanda Richa, Eduardo Sanz, disse que a prisão é “excessiva, inadequada e desnecessária”, e afirmou que sua cliente sempre esteve à disposição da Justiça e entregou todos os documentos solicitados pelo Ministério Público, em ocasiões anteriores.

As prisões são válidas por cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. 

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