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Em sabatina Folha/UOL, Renata Souza expõe diferenças com Benedita e diz que PSOL não apoiou Cabral

Candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro afirma que seu partido é 'real alternativa contra o bolsonarismo'

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São Paulo | UOL

A candidata do PSOL à Prefeitura do Rio de Janeiro, Renata Souza, faz questão de pontuar as diferenças entre as candidaturas dela e de Benedita da Silva (PT).

Durante a sabatina promovida pela Folha, em parceria com o UOL, ela negou que possa abrir mão de sua candidatura em prol da adversária petista. Isso foi sugerido pelo ex-senador Lindbergh Farias (PT) em troca de eventual apoio de Jilmar Tatto (PT) à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo.

A psolista frisou as diferentes formas de fazer política ao relacionar Benedita aos governos de Sérgio Cabral (MDB), Anthony Garotinho (sem partido) e Eduardo Paes (DEM).

"Não é porque a gente é mulher preta, que a gente é da favela, que a gente é igual. Nós temos diferenças sensíveis e importantes", disse ela. A entrevista foi comandada por Silvia Ribeiro, editora do UOL, e Catia Seabra, repórter da Folha.

Renata também fez questão de diferenciar o histórico dos partidos: "PT é PT, e PSOL é PSOL".

Questionada sobre diferenças em relação à candidatura de Benedita, Renata Souza disse: "Nós trazemos elementos centrais, de não ter participado de nenhum palco eleitoral do Cabral, do Garotinho, do próprio Eduardo Paes, evidentemente, isso nos diferencia. Nos diferencia na forma de se fazer política no Rio de Janeiro".

Renata defendeu que sua candidatura "é legítima e importante". "O fato de sermos duas mulheres negras que venham da favela também não é algo que nos coloca no mesmo lugar. Nós temos histórias diferentes, somos de gerações diferentes, temos formas de fazer política diferentes e, programaticamente, temos algumas diferenças sensíveis. Então, é importante a gente também não colocar duas mulheres pretas que têm histórias diferentes e que são legítimas, no mesmo balaio", completou.

Candidatura antigoverno e voto útil

Durante a sabatina, Renata se apresentou em mais de um momento como a real alternativa contra o bolsonarismo no Rio.

"Eu tenho visto os posicionamentos públicos, publicamente não há uma oposição tão ferrenha como nós fazemos. Nós estamos convencidos de que temos que derrotar o bolsonarismo na cidade que gestou o bolsonarismo. Nós estamos dizendo isso, publicamente, em todos os lugares. Mas eu acredito que as outras candidaturas do campo progressista estão deixando a desejar nesse embate contra o bolsonarismo."

Questionada se ela teme um voto útil em favor de Benedita, Renata diz que "pode surpreender muito". "A gente tem no Rio de Janeiro um embate importante, que a gente não abriu mão de fazer, que é derrotar o bolsonarismo", disse.

"A gente acha que pode sim fazer com que as pessoas olhem para que um voto de primeiro turno seja naquilo que você confie, naquilo que você acredita, e não naquilo que você teme."

Apoio da classe artística

Artistas que tradicionalmente apoiavam o PSOL assinaram um manifesto pró-Benedita no Rio, que foi divulgado no último fim de semana.

Sobre o assunto, Renata voltou a insistir na candidatura dela como principal alternativa no que chama de combate ao bolsonarismo.

"A gente entende o posicionamento de uma ala intelectual, de uma ala artística, é fundamental, precisam se posicionar, mas efetivamente a gente tem no PSOL a real alternativa na cidade do Rio de Janeiro."

Investigações de 'rachadinhas'

Sobre as investigações de movimentação atípica na conta de um funcionário do deputado estadual Eliomar Coelho (PSOL) apontadas em um relatório do Coaf, órgão de inteligência financeira, a candidata disse que "o PSOL nunca deixou de falar sobre isso" e "nunca deixou de prestar qualquer tipo de esclarecimento ao Ministério Público e todos os órgãos que investigam transações atípicas, diferente de Flávio Bolsonaro".

"O PSOL não pratica 'rachadinha' e, de fato, teve uma situação. E não é rachadinha, importante a gente dizer que o Flávio Bolsonaro está sendo acusado de corrupção. É importante dar nomes. Eliomar em nenhum momento deixou de falar sobre as transações atípicas que teve sua conta."

Renata atuou como chefe de gabinete da vereadora Marielle Franco (PSOL), morta a tiros na noite de 14 de março de 2018. Ela foi eleita deputada estadual e preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio.

As duas foram criadas no Complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte da cidade.

A última pesquisa Datafolha aponta Renata com 5% das intenções de voto e Benedita com 10%. Eduardo Paes aparece em primeiro lugar (28%), seguido por um empate entre o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e Martha Rocha (PDT) —citados, cada um, por 13% dos entrevistados.

​Sabatinas

A Folha e o UOL estão sabatinando candidatos das principais capitais do país.

De São Paulo, além de Joice Hasselmann (PSL), foram entrevistados Marina Helou (Rede), Antônio Carlos (PCO), Levy Fidelix (PRTB), Orlando Silva (PC do B) e Vera Lúcia (PSTU).

Do Rio de Janeiro, além de Glória Heloiza (PSC), já passou pela sabatina Clarissa Garotinho (PROS).

No Recife, foram entrevistados João Campos (PSB), Marília Arraes (PT), Patrícia Domingos (Podemos) e Mendonça Filho (DEM).

Dos candidatos em Belo Horizonte, foram sabatinados Áurea Carolina (PSOL), Alexandre Kalil (PSD), Bruno Engler (PRTB) e João Vítor Xavier (Cidadania).

De Salvador, Major Denice (PT), Olívia Santana (PC do B), Pastor Sargento Isidório (Avante) e Bruno Reis (DEM) já foram entrevistados.

Em Curitiba, além de Fernando Francischini (PSL), falaram João Arruda (MDB), Goura (PDT) e Rafael Greca (DEM).

De Porto Alegre, foram entrevistados Manuela D'Ávila (PC do B), José Fortunati (PTB), Juliana Brizola (PDT), Fernanda Melchionna (PSOL), Nelson Marchezan Jr (PSDB), Sebastião Melo (MDB) e Gustavo Paim (PP).

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