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Eleição mostra tendência de leve deslocamento à esquerda em capitais

Entre 23 cidades, 4 que tiveram movimento significativo foram para a esquerda e apenas 1 para a direita

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São Paulo

Se as últimas eleições foram marcadas por um movimento à direita do eleitorado, a deste ano tendem a um leve deslocamento à esquerda.

A reportagem analisou as 23 capitais que tinham resultado definido até a 0h30 desta segunda-feira (16). Em 4 cidades houve deslocamento significativo no posicionamento ideológico para a esquerda, apenas 1 para a direita e em 18 a situação ficou estável.

A análise foi feita com base no GPS Ideológico, ferramenta da Folha que coloca pessoas e instituições numa reta, do ponto mais à direita ao mais à esquerda do espectro político, segundo o perfil dos seguidores de seus membros no Twitter (veja aqui a reta completa).

A reportagem comparou as posições dos atuais prefeitos com as dos eleitos neste primeiro turno ou a dos que passaram em primeiro lugar para a próxima rodada (em geral, 70% dos líderes no primeiro turno também vencem o segundo).

Foram para esquerda Belém, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. Apenas Cuiabá se deslocou para a direita.

O maior deslocamento ocorreu na capital paraense, em que Edmilson Rodrigues (Psol) é 34 pontos mais à esquerda que o atual prefeito, Zenaldo Coutinho (PSDB), numa escala de 0 a 100.

O candidato à prefeitura de Belém Edmilson Rodrigues (à direita) - Facebook

Rodrigues disputará o segundo turno com delegado Eguchi (Patriotas).

Nessas capitais do Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, o já eleito ou o favorito para o segundo turno é ao menos 10 pontos mais à esquerda que o atual mandatário.

Se considerado deslocamento de qualquer pontuação, 10 cidades foram para a esquerda, 8 permanecem no mesmo lugar e 5 foram para a direita.

O deslocamento para a esquerda não necessariamente significa que o novo prefeito seja de esquerda, mas que ele foi para essa direção em relação ao atual prefeito.

No caso do Rio, por exemplo, Eduardo Paes (DEM) está na parte central da reta ideológica, mas à esquerda do atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos), com quem disputará o segundo turno.

Os candidatos à prefeitura do Rio Eduardo Paes (à esquerda) e Marcelo Crivella, no dia do primeiro turno - Sergio Moraes/Reuters e Wallace Silva/Fotoarena/Agência O Globo

O deslocamento para a esquerda no país seria ainda maior se o critérios fosse diferente para São Paulo, maior cidade brasileira. Bruno Covas (PSDB) é o atual prefeito e passou em primeiro lugar para o segundo turno, por isso, na metodologia da Folha a capital aparece como sem deslocamento.

Mas se comparado com o resultado de 2016, a cidade teria se deslocado para a esquerda, pois o eleito naquele ano foi João Doria, que, apesar de também ser do PSDB, está à direita de Covas na reta ideológica (ele deixou a prefeitura para ser eleito governador em 2018).

A cidade também migraria para a esquerda caso o segundo colocado no primeiro turno, Guilherme Boulos (Psol), vença a segunda rodada.

Cientistas políticos consultados pela reportagem afirmaram que o resultado desta eleição pode ter impactos para o pleito de 2022, ainda que limitados.

Guilherme Russo, da FGV-SP, e Felipe Nunes, da UFMG e da consultoria Quaest, destacaram que o resultados das eleições municipais tendem a ter impacto na disputada para a Câmara Federal, daqui a dois anos.

Isso porque candidatos a deputado federal, em geral, dependem dos apoios municipais (de prefeitos e de vereadores) para a eleição.

Cesar Zucco, da FGV-RJ, afirma que o presidente Jair Bolsonaro pode ter perdido nestas eleições uma grande chance de criar uma boa estrutura para a tentativa de reeleição.

Zucco lembra que o PSL, partido pelo qual o presidente concorreu em 2018, possuía amplos recursos para esta eleição municipal. Bolsonaro deixou o partido e não aproveitou essa estrutura.

“O fato de não ter precisado disso [estrutura partidária] em 2018 diz pouco sobre 2022 dado à diferença das duas eleições”, disse Zucco.

“Considerando que o presidente não semeou as bases de uma estrutura partidária e que a população parece estar escolhendo prefeitos mais distanciados das posições de Bolsonaro, é de supor que o quadro de alianças e apoios disponíveis para ele será restrito. Diferentemente de 2018, eu acredito que isso afeta negativamente as chances de Bolsonaro em 2022”, afirmou o cientista político.

Os analistas foram consultados pela reportagem antes dos resultados deste domingo.

METODOLOGIA

A posição dos influenciadores na reta é calculada a partir do perfil de 1,7 milhão de usuários do Twitter no Brasil, com interesse em política (foram excluídas contas que um modelo matemático classificou como possíveis robôs).

O algoritmo do GPS Ideológico busca encontrar padrões nos perfis de seguidores entre os influenciadores (veja aqui a metodologia completa, de 2019).

O modelo capta, por exemplo, que usuários que seguem o vereador Carlos Bolsonaro tendem a seguir também o deputado Flávio Bolsonaro e o jornalista Alexandre Garcia. Esses ficam próximos na reta.

Mas esses seguidores tendem a não seguir contas como do petista Fernando Haddad, da comentarista Gabriela Prioli e do cantor Emicida. Esses três ficam próximos na reta, mas distantes dos Bolsonaros e de Alexandre Garcia.

Ou seja, a posição na reta depende do perfil dos seguidores do influenciador, não necessariamente mostra a ideologia da conta (ainda que haja uma forte correlação entre o perfil de seguidores e o perfil do influenciador).

Autor do algoritmo que foi adaptado para o GPS Ideológico, o cientista político Pablo Barberá (Universidade do Sul da Califórnia e London School of Economics) afirma em seus trabalhos acadêmicos que, ao seguir uma pessoa, via de regra o usuário tem afinidade com esse perfil.

Isso porque a pessoa passará a visualizar mais tuítes desse usuário. E receber conteúdo de alguém sem afinidade é algo custoso, em termos de tempo e de atenção —por isso, tende a ser exceção.

Para a análise dos resultados das capitais, quando o atual prefeito ou o candidato no pleito deste ano não constavam no GPS Ideológico, foram consideradas as posições de seus partidos

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