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Descrição de chapéu Eleições 2020

Russomanno revê estratégia, e candidatos buscarão voto anti-Doria em debates para chegar ao 2º turno

Empatados, nomes de Republicanos, PSOL e PSB querem se mostrar mais preparados para enfrentar o PSDB

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São Paulo

Antes incerta, a presença de Celso Russomanno (Republicanos) nos debates da última semana do primeiro turno em São Paulo passou a ser considerada nas últimas horas pelos adversários, que devem usar o espaço para se opor ao líder nas pesquisas, o candidato à reeleição, prefeito Bruno Covas (PSDB).

Russomanno, que indicava a intenção de não comparecer aos embates, reviu a estratégia no momento em que sua queda nas intenções de voto se acelera. Ele teve novo recuo no Datafolha mais recente e registrou 16%, em empate técnico no segundo lugar com Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB); em pesquisa Ibope divulgada nesta segunda (9), a tendência se repete.

Numa campanha marcada pela ausência de debates na TV, três encontros estão marcados para esta reta final: o do jornal O Estado de S. Paulo, nesta terça-feira (10), o da Folha e o do UOL às 10h desta quarta (11), e o da TV Cultura, na quinta (12).

Debate de candidatos à Prefeitura de São Paulo em 2020 na TV Band - Bruno Santos - 1º.out.2020/Folhapress

A equipe de Russomanno afirma que o candidato vai comparecer aos dois primeiros. A ida ao debate da Cultura ainda é discutida internamente, mas já não é considerada descartada como antes.

Segundo estrategistas das campanhas ouvidos pela Folha, o cenário mais provável para os confrontos é que se amplie a pressão sobre Covas, com sua associação ao governador João Doria (PSDB).

Ao tentar capturar o voto anti-Doria, os três principais adversários do tucano buscarão se cacifar para a briga com ele no segundo turno.

Boulos e França —que passaram as últimas semanas embolados nas pesquisas e trocaram farpas em entrevistas e discursos— devem, segundo a versão oficial das campanhas, priorizar a apresentação de propostas, sem uma definição prévia sobre alvos.

A defesa do plano de governo e de promessas como a do auxílio paulistano também é o foco de Russomanno.

O candidato do PSOL reforçará as críticas à dobradinha "BolsoDoria", como se refere à possibilidade de segundo turno entre Russomanno, que é apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e Covas, que é aliado de Doria mas escondeu o governador em suas propagandas.

Como fez no debate da Band, o único em TV aberta até aqui, em 1º de outubro, Boulos também buscará colar em França a pecha de "tucano disfarçado", lembrando o fato de ele ter sido vice de Geraldo Alckmin (PSDB) no governo estadual e insistindo na tese de que o rival não é de esquerda.

França, por sua vez, aposta as fichas na retórica de que é o único competidor capaz de derrotar Covas no segundo turno, já que as pesquisas mostram um quadro levemente mais complicado para o tucano no caso de enfrentamento com o nome do PSB.

Um antagonismo com Russomanno, embora possível, não chega a ser uma meta do ex-governador para os debates, que nos últimos dias tem atacado a inexperiência do deputado federal e apresentador de TV em cargos no Executivo.

França trabalha ainda com o cálculo de que eleitores de Covas e Russomanno que decidirem mudar o voto na última hora tendem a migrar para ele.

É também provável que o ex-governador evite gastar tempo e energia em quedas de braço com Boulos, já que ele e seus auxiliares consideram difícil que o líder de movimentos de moradia perca uma grande fatia do eleitorado que hoje já está com ele.

Nos comitês do PSOL e do PSB, a avaliação é a de que centrar fogo exclusivamente em Russomanno —opção que pareceria óbvia, para tentar desidratá-lo e passar à frente dele— é desnecessário.

Na visão dos rivais, o próprio candidato se prejudicou com a apresentação de propostas frágeis e declarações controversas (e até falsas) sobre a pandemia da Covid-19 e o racismo. Além disso, a relação estreita com Bolsonaro teria mais atrapalhado do que ajudado o parlamentar.

Segundo o Datafolha, 64% dos moradores de São Paulo dizem que não votariam de jeito nenhum em um postulante a prefeito apoiado pelo presidente da República.

Já o marqueteiro de Russomanno, Elsinho Mouco, considera que seu candidato estará preparado para responder a ataques —que aposta partirem de Boulos.

"Tanto o formato [do debate] Folha/UOL quanto o do Estadão são formatos que ajudam a conhecer os candidatos. Uma fonte de informação principalmente para os indecisos", diz.

A avaliação do entorno de Russomanno é a de que o candidato, então líder, “ficou no paredão” no debate da Band, porque foi questionado por adversários três vezes em cada bloco –o máximo permitido. O tempo de 45 segundos para respostas também virou motivo de reclamação.

A conclusão da campanha, na ocasião, foi a de que não valia se expor em debates. O cancelamento dos eventos pelas principais emissoras foi visto pelos adversários como um favorecimento ao deputado.

Mas, diante do empate com Boulos e França e de regras que dão mais tempo para as respostas, a equipe de Russomanno reavaliou a decisão e resolveu aderir aos debates de Folha/UOL e Estadão –a presença na TV Cultura também é quase certa.

Membros do Republicanos ainda dependem de uma análise mais detida sobre a estrutura do debate televisivo para confirmar a presença do candidato. Segundo eles, o receio é o de que, com mais concorrentes participando, não haja tempo suficiente para que Russomanno apresente propostas.

Até agora, a campanha de Russomanno tem mirado Covas e Boulos, que são considerados seus principais adversários sob a ótica da sua base eleitoral bolsonarista.

França não deverá ser alvo do candidato do Republicanos. Nesta segunda (9), Russomanno afirmou que ele e França são amigos, sinalizando contar com o apoio do candidato do PSB num segundo turno.

O debate Folha/UOL deve ter a participação de Covas, Russomanno, Boulos e França. O evento do Estadão, além desses, contará com Jilmar Tatto (PT) e Arthur do Val (Patriota).

Já a TV Cultura convidou os candidatos com representação no Congresso, como determina a lei eleitoral para debates televisivos, o que inclui também: Joice Hasselmann (PSL), Orlando Silva (PC do B), Andrea Matarazzo (PSD) e Marina Helou (Rede).

No entorno de Covas, a orientação é repetir nos debates a lógica em vigor no horário eleitoral, que os auxiliares avaliam como acertada e responsável por levá-lo à marca de 28% de intenções de voto no Datafolha, com rejeição em tendência de queda.

O candidato à reeleição adotou como regra ignorar os conflitos entre os adversários, "municipalizar" o discurso e aproveitar a campanha para divulgar realizações de sua gestão e propostas.

Covas tem respostas prontas para as críticas mais comuns, como a de que escondeu sua relação com Doria. Costuma dizer que o governador está ocupado com a administração do estado, mas que será um aliado importante caso ele se reeleja na prefeitura.

Embora não haja, segundo assessores, ataques planejados, o tucano reagirá a ofensivas mais duras feitas diretamente a ele, mas não usará a íntegra de seu tempo nos debates para discutir com oponentes.

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