1991: Na política, Aécio Neves diz que não teve 'tempo de fazer um bom negócio'

Em seu segundo mandato como deputado, o parlamentar diz querer ser governador de Minas Gerais

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Reprodução da revista d', publicada em 5 de maio de 1991 com entrevista de Aécio Neves - Folhapress

Confira abaixo a íntegra da entrevista do deputado federal Aécio Neves publicada em 5 de maio de 1991, na revista d' da Folha.

 

Sonhos de Aécio

Aécio Neves da Cunha é mineiro: frequenta os desfiles do carnaval carioca e conheceu Andréa Falcão Cunha na praia, no Rio de Janeiro. Casou-se com ela há dois meses e espera não ter mais que fazer café da manhã. Cumpre mansamente seu segundo mandato como deputado, sentindo-se cada vez mais o neto de Tancredo Neves: quer ser o governador de Minas Gerais. Pelos tucanos, partido que ele acha, contrariando o senso comum, nascido para vencer.

Você ainda se sente neto?
Vou ser sempre.

Qual é seu desejo inconfessável?
Governar Minas Gerais.

Você já dançou com a Zélia?
A minha mesa é do outro lado do baile.

Quem dança melhor: o Dornelles ou o Ibrahim?
O Dornelles era o dono da banda, o Ibrahim só faz um número.

Tem vontade de andar de jet-ski e helicóptero?
Não para ser fotografado.

Quem é o pior político do Brasil?
A concorrência é grande, seria injustiça citar um só.

Seu maior vício?
Gostar de andar sempre em boas companhias.

Quem dá baixaria?
Quem vai ser se convidado e pergunta para o dono da casa de quem é a festa.

Já deu ou levou porrada física de alguém?
Já, mas tenho esperança de ter dado mais do que levado.

Qual foi a pior cantada que você já levou?
Aquela em que você vê na cara que estão cantando o poder que você tem.

Qual foi a maior vergonha que você já passou?
Quando eu tinha 16 anos, em São João Del Rey, fui dançar num baile de debutante com os sapatos trocados, um marrom e outro preto. E fiquei até o fim.

Já fez um mau negócio?
Desde que entrei na política não tive tempo de fazer um bom negócio.

Seu maior prazer?
Assistir filme de madrugada tomando sorvete de maracujá, que eu mesmo faço.

Seu pior erro?
No início da minha vida pública ter acreditado muito em pessoas que não acreditava em si próprias.

De quem não compraria um carro usado?
De Carlos Menem.

É encanado com alguma doença?
Não, tenho pouca tendência à hipocondria.

Tem asco de quê?
Burrice.

Já teve vontade de matar alguém?
Não, nas de mandar para férias bem longe, para a Lituânia, frequentemente tenho vontade.

Quem é seu inimigo?
Aqueles que acham que a relação político e eleitor é puramente comercial.

O que você odeia fazer e continua fazendo?
Acordar cedo e preparar meu café. Agora que eu casei acho que vai ser um pouco diferente.

O que alguém fez que você teve inveja?
Pode ser ao contrário? Faço uma moqueca de camarão de fazer inveja a qualquer cozinheiro.

Já sentiu vontade de morrer?
Não, tenho uma vontade louca de viver.

Qual é a sua praia?
O anexo 4 do Congresso Nacional.

Por que chorou a última vez?
Porque o Brasil perdeu Tancredo.

Qual é a sua fantasia irrealizada?
Ver as transformações que a Nova República de Tancredo faria neste país.

Quem é canalha?
Quem rouba o dinheiro público e quem, no poder, permite que isso aconteça.

Qual é a grande musa de Brasília?
A sua arquitetura, seus traços certos.

Em 93, monarquia ou república?
República parlamentarista.

A Nova República murchou?
A Nova República era Tancredo. Com ele, ela se foi.

Tucano é uma raça em extinção?
Não, é um pássaro que apesar de não ser o maior em quantidade, tem como destino fazer seu ninho na rampa do Palácio do Planalto.

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