História do Nobel tem vencedores presos, mortos e impedidos de receber prêmio

Do total de 944 laureados até o momento, apenas 52 eram mulheres

São Paulo

Premiado com o Nobel enquanto estava na cadeia? Laureado mais de uma vez? Gente que recusou o prêmio? Sim, tudo isso já aconteceu no Nobel. Veja algumas curiosidades sobre a láurea, que começou a ser entregue em 1901.

Medalha dada aos ganhadores do Nobel
Medalha dada aos ganhadores do Nobel - Jonathan Nackstrand/AFP

Obrigado, mas não

Dos 944 vencedores do Nobel (incluindo os nove anunciados até agora em Fisiologia e Medicina, Física e Química em 2019), apenas dois se recusaram a receber o prêmio. 

Um deles foi o escritor Jean-Paul Sartre que, em 1964, recusou o Nobel porque vinha recusando a todas os tipos de honrarias oferecidas por seu trabalho e obra.

Em 1973, o político vietnamita Le Duc Tho recebeu o Nobel da Paz junto com o então Secretário de Estado dos EUA, Henry A. Kissinger, por negociarem o acordo de paz da guerra do Vietnã. Tho alegou que não poderia receber o prêmio devido ao estado em que se encontrava o seu país. Kissinger aceitou a parte que lhe cabia dos 9 milhões de coroas suecas.

Prisão

O pacifista alemão Carl von Ossietzky, a política Aung San Suu Kyi e o ativista chinês de direitos humanos Liu Xiaobo estavam presos no momento em que foram premiados. Todos eles foram laureados com o prêmio Nobel da Paz.

Ossietzky foi laureado em 1935. O jornalista revelou que, contrariando o Tratado de Versalhes, a Alemanha estava se rearmando. Por isso, foi preso. Com a ascensão dos nazistas, foi preso de novo e enviado a um campo de concentração. 

Hitler ficou furioso com a premiação para Ossietzky e proibiu que os alemães recebessem as láureas. O jornalista morreu em uma prisão-hospital em 1938.

Em 1991 foi a vez de Aung San Suu Kyi ser laureada enquanto estava com a liberdade restrita. A ativista se colocava contra o governo militar que comandava Myanmar desde 1962 e foi presa em 1989. Mesmo com o prêmio, permaneceu em prisão domiciliar até 2010. 

Liu Xiaobo, premiado em 2010, participou do Protesto na Praça da Paz Celestial, em Pequim, na China, em 1989, ação pela qual ficou preso por dois anos. Também passou três anos em campos de trabalho após ter criticado o sistema de governo chinês. 

Em 2008, foi coautor de um manifesto pela abertura gradual da China em direção à democracia. Por isso, ele foi preso em dezembro de 2008 e sentenciado a 11 anos de prisão.

Os impedidos

Quatro pessoas na história do Nobel foram obrigadas a não aceitarem a honraria, sendo três delas impedidas por Adolf Hitler: Richard Kuhn, Adolf Butenandt e Gerhard Domagk. Mais tarde eles puderam receber o diploma e a medalha, mas não o valor em dinheiro. 

Em 1958, as autoridades da União Soviética coagiram o poeta e romancista russo Boris Pasternak a recusar o prêmio —que ele já havia aceitado. “Considerando o significado que a láurea ganhou na sociedade a qual pertenço, eu preciso rejeitar tal prêmio do qual não sou merecedor. Por favor, não recebam com desgosto meu recusa voluntária”, disse o romancista em telegrama.

Morreu, mas foi premiado

Até 1974 havia a possibilidade de premiação póstuma e duas pessoas foram laureadas dessa maneira. A primeira foi o poeta Erik Axel Karlfeldt, em 1931, com o Nobel de Literatura, e a segunda foi o suéco Dag Hjalmar Agne Carl Hammarskjöld, com o Nobel da Paz, em 1961.

Desde que a academia deixou de premiar postumamente, apenas mais uma pessoa entrou para essa pequena lista. Em 2011, o canadense Ralph M. Steinman foi anunciado como um dos dois laureados do Nobel de Fisiologia ou Medicina, porém, Steinman havia morrido três dias antes da honraria. 

Ao analisar o estatuto do Nobel, o comitê responsável por eleger os vencedores constatou que, devido a equipe não ter conhecimento da morte de Steinman no momento do anúncio, ele poderia ser laureado. 

As mulheres laureadas 

Desde 1901 —primeiro ano da láurea—, dos 944 vencedores apenas 52 eram mulheres. Veja abaixo a lista das laureadas. 

Física
1903 - Marie Curie
1963 - Maria Goeppert-Mayer 
2018 - Donna Strickland

Química
1911 - Marie Curie
1935 - Irene Joliot-Curie
1964 - Dorothy Crowfoot Hodgkin
2009 - Ada Yonath
2018 - Frances Arnold

Medicina
1947 - Gerty Cori 
1977 - Rosalyn Yalow 
1983 - Barbara McClintock 
1986 - Rita Levi-Montalcini
1988 - Gertrude Elion 
1995 - Christiane Nuesslein-Volhard 
2004 - Linda Buck 
2008 - Francoise Barre-Sinoussi 
2009 - Elizabeth Blackburn 
2009 - Carol Greider 
2014 - May-Britt Moser
2015 - Youyou Tu

Literatura
1909 - Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf
1926 - Grazia Deledda
1928 - Sigrid Undset
1938 - Pearl Buck
1945 - Gabriela Mistral
1966 - Nelly Sachs
1991 - Nadine Gordimer
1993 - Toni Morrison
1996 - Wislawa Szymborska
2004 - Elfriede Jelinek
2007 - Doris Lessing
2009 - Herta Müller
2013 - Alice Munro
2015 - Svetlana Alexievich

Paz
1905 - Baronesa Bertha Sophie Felicita de Suttner, Condessa Kinsky de Chinic e Tettau
1931 - Jane Addams
1946 - Emily Greene Balch
1976 - Betty Williams
1976 - Mairead Corrigan
1979 - Madre Teresa
1982 - Alva Myrdal
1991 - Aung San Suu Kyi
1992 - Rigoberta Menchú Tum
1997 - Jody Williams
2003 - Shirin Ebadi
2004 - Wangari Muta Maathai
2011 - Ellen Johnson Sirleaf
2011 - Leymah Gbowee
2011 - Tawakkol Karman
2014 - Malala Yousafzai
2018 - Nadia Murad

Economia
2009 - Elinor Ostrom

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