Pesquisadores dos EUA criam 'água-viva biônica' para explorar oceanos

Pequena prótese permitiu que o animal nadasse três vezes mais rápido e com mais eficiência

Washington | Reuters

Pesquisadores americanos criaram uma "água-viva biônica" incorporando microeletrônica nos invertebrados marinhos, com a intenção de usá-los para monitorar e explorar os oceanos. O resultado do experimento foi publicado nesta semana na revista Science Advances.

Uma pequena prótese permitiu que a água-viva nadasse três vezes mais rápido e com mais eficiência, sem causar estresse visível, segundo os cientistas. Esses animais não têm cérebro, sistema nervoso central ou receptores de dor.

Os próximos passos serão testar maneiras de controlar aonde as águas-vivas vão e desenvolver pequenos sensores capazes de realizar medições em longo prazo das condições do oceano, como temperatura, salinidade, acidez, níveis de oxigênio e nutrientes. Os pesquisadores também consideram instalar nelas câmeras minúsculas para monitoramento.

"É bem ficção científica futurista", disse Nicole Xu, bioengenheira da Universidade Stanford, coautora da pesquisa. "Poderíamos enviar essas água vivas biônicas para diferentes áreas do oceano para monitorar sinais de mudanças climáticas ou observar fenômenos naturais."

Representação artística das águas-vivas com próteses implantadas por pesquisadores - Rebecca Konte/Caltech/Reuters

O objetivo inicial será o mergulho profundo, porque as medições em maior profundidade são uma grande lacuna no entendimento dos oceanos, acrescentou John Dabiri, coautor e professor de engenharia mecânica no Instituto de Tecnologia da Califórnia.

"Colocaríamos a água-viva biônica na superfície, fazendo-a nadar até profundidades crescentes para ver até onde conseguimos chegar fazendo-a voltar à superfície com dados", afirmou.

O estudo envolveu um tipo comum de água-viva chamado medusa-da-lua, com diâmetro de 10 a 20 centímetros. 

Elas se impulsionam pela água contraindo os músculos para fechar seu corpo em forma de guarda-chuva. A prótese —um chip, bateria e eletrodos que estimulam os músculos— mede cerca de dois centímetros de diâmetro e faz que a água-viva pulse com maior frequência, como um marcapasso regulando a frequência cardíaca.

Sabe-se que as águas-vivas secretam muco quando sofrem estresse. Nenhuma reação ocorreu durante a pesquisa, e os animais nadaram normalmente após a remoção da prótese, de acordo com os cientistas.

Existem muitas tecnologias para estudar o oceano perto da superfície. Mas o conhecimento diminui em profundidades maiores que aproximadamente 20 metros, onde são usados instrumentos enviados por navios —caros— ou veículos subaquáticos menores, acrescentou Dabiri.

"Como usamos animais com movimentos naturais de nado, a esperança é que eles não perturbem o meio ambiente, como faz um submarino, e assim possamos expandir os tipos de ambientes que conseguimos monitorar", disse o cientista.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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