Acadêmicos e revistas científicas fazem greve contra racismo em universidades e laboratórios

Movimento pede que profisisonais e instituições pensem em soluções contra o preconceito nas ciências

São Paulo

Cientistas de vários países e revistas científicas de alto impacto se juntaram nesta quarta-feira (10) em uma paralisação contra o racismo dentro da academia. O movimento ganhou força nas redes sociais, com pessoas que compartilharam suas histórias e clamaram por mais diversidade dentro da pesquisa acadêmica.

Os organizadores do movimento pedem que os profissionais das Stem (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) usem o dia para refletir sobre o racismo em suas áreas de atuação e sobre maneiras de frear a discriminação racial.

Protesto contra o racismo em rua de Washington no sábado (6)
Protesto contra o racismo em rua de Washington no sábado (6) - Olivier Douliery/AFP

"Acadêmicos e profissionais das Stem negros estão machucados porque eles são atacados por um racismo sistêmico e institucional", diz o site do movimento, chamado de #ShutDownSTEM (parem as Stem, uma referência à paralisação na área).

"Aqueles que não são negros, particularmente os que são brancos, têm um papel importante na perpetuação do racismo sistêmico. Precisamos de ações diretas para cessar essa injustiça. Se você não está engajado diretamente com a eliminação do racismo, você está perpetuando isso", continua o texto.

A revista Nature, uma das mais prestigiosas do mundo no campo científico, disse em editorial que participa da ação. "Vamos atrasar a publicação da edição e passar o dia planejando como erradicar o racismo na academia e nas Stem", afirma o texto.

"A Nature se posiciona contra todas as formas de racismo. Também reconhecemos que a Nature é uma das instituições brancas que é responsável pelo viés na pesquisa, e que devemos lutar mais para corrigir essas injustiças e amplificar as vozes marginalizadas", diz o editoria.

A Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), que publica a revista Science, outra revista de alto impacto na ciência, tambem aderiu ao movimento. Nesta quarta-feira (10), a página principal da AAAS apresenta uma tela preta em apoio à causa.

A instituição pede que os leitores enviem sugestões de como a AAAS pode atuar contra o racismo na academia. Para isso, a associação disponibilizou um formulário em sua página principal.

Nas redes sociais, o movimento ganhou força com as hashtags #Strike4BlackLives #ShutDownSTEM #ShutDownAcademia, usadas para compartilhamento de histórias e sugestões.

Pesquisadores e professores de instituições de ensino como a Universidade Columbia e a Universidade Yale, dos Estados Unidos, também fazem parte da ação.

O movimento surge na esteira dos protestos contra a violência policial voltada aos negros que surgiram nos Estados Unidos após Geroge Floyd ter sido morto em uma ação policial, em Mineápolis, nos Estados Unidos. Desde então, manifestações contra o racismo têm acontecido diariamente no país.

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