Peixes também são bons em matemática

Experimento realizado na Alemanha revela que duas espécies de água doce têm dom para a aritmética

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Paris | AFP

Peixes de água doce parecem ter boas habilidades matemáticas, como primatas, abelhas e pássaros já mostraram, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira (31).

Os vertebrados, e alguns invertebrados, têm a capacidade de distinguir quantidades, algo essencial quando se trata de procurar comida, fugir de predadores, escolher um parceiro ou mover-se em grupo.

No entanto, os etólogos ainda não descobriram como ocorre essa diferenciação numérica: é uma estimativa simples baseada no tamanho do grupo, ou esses animais têm a capacidade de contar?

O peixe Maylandia zebra, conhecido como zebra borrado, que foi utilizado no estudo
O peixe Maylandia zebra, conhecido como zebra borrado, que foi utilizado no estudo - Creative Commons

Alguns estudos revelaram que alguns macacos, papagaios, pombos, aranhas e abelhas eram capazes de processar informações numéricas isoladas e resolver operações simples.

Um experimento realizado no Instituto de Zoologia da Universidade de Bonn (Alemanha) e descrito na revista Scientific Reports revela que os peixes também têm esse dom para a aritmética.

O Maylandia zebra, pertencente à família Cichlidae, e raia motoro (Potamotrygon motoro), duas espécies de água doce, foram escolhidos para os testes.

Oito indivíduos de cada espécie foram submetidos a centenas de testes em grandes piscinas projetadas especificamente para observar seu comportamento.

O objetivo era que reconhecessem a cor azul como símbolo de adição e o amarelo de subtração.

Os cientistas colocaram na água cartões com um certo número de formas azuis ou amarelas e depois duas portas deslizantes, cada uma com um cartão com um número diferente de formas. Apenas uma dessas portas estava correta.

A raia Potamotrygon motoro, ou arraia de fogo
A raia Potamotrygon motoro, ou arraia de fogo, foi outra espécie que demonstrou capacidade de análise matemática - Divulgação

Por exemplo, ao ver um cartão com três formas azuis, ou seja, a cor que indicava uma adição, o peixe tinha que nadar em direção à porta associada a uma carta com quatro formas azuis. Em contrapartida, um cartão com quatro formas amarelas significava que ele tinha que enfrentar a porta associada a um cartão com uma forma a menos.

Se o peixe passasse pela porta certa, recebia uma recompensa em comida. Resultado: Seis dos Maylandia zebra e quatro das raias conseguiram associar consistentemente azul com adição (+1) e amarelo com subtração (-1).

O Maylandia zebra precisou de mais tempo para realizar o exercício do que a raia e para ambas as espécies a adição foi mais fácil do que a subtração, diz o estudo.

Este estudo pode explicar por que ambas as espécies são capazes de reconhecer seus semelhantes por sua aparência, por exemplo, contando suas listras ou manchas, sugerem os cientistas.

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