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Editada por Felipe Bailez e Luis Fakhouri, fundadores da Palver, coluna traz perspectivas sobre os dados extraídos de redes sociais fechadas

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Lula domina debate nas redes sociais com estratégia disseminada por Bolsonaro

Impulsionadas pela oposição, falas de Lula no 1º de Maio reverberaram nas redes e garantiram dominância de agenda

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Discursando para poucos apoiadores no estacionamento do estádio do Corinthians, o presidente Lula dominou as discussões nas redes sociais na semana passada. No dia 1º de maio, feriado nacional do Dia do Trabalhador, o presidente esteve em São Paulo para participar de evento convocado pelas centrais sindicais.

O público era pequeno, principalmente quando comparado aos estádios lotados que costumavam ser o pano de fundo em anos anteriores. Com as redes sociais, a baixa adesão dos eventos presenciais deixa de ser um fator limitante para que a mensagem consiga reverberar.

Isso não significa que não faz diferença o tamanho do público presente, faz. Não à toa, os atos organizados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro empenham enorme esforço na convocação. No ato de fevereiro, que ocorreu na avenida Paulista, até a falsa confirmação de que o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump estaria presente foi uma das estratégias que circularam nos grupos de WhatsApp.

Homem branco e com cabelo e barba castanhos, jovem, usa camisa branca e ergue uma das mãos; segura a mão de senhor branco, de barba branca, com boné branco e camisa azul jeans escuro; ao fundo há diversas pessoas, algumas delas aplaudindo, outras fazendo "joia", entre eles alguns ministros do governo Lula como Anielle Franco; vê-se um par de mãos segurando cartaz com a bandeira palestina onde se lê "cessar fogo já"
O deputado e pré-candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos e o presidente Lula, no palanque do ato das centrais sindicais em comemoração ao Dia do Trabalhador - Zanone Fraissat/Folhapress

O tamanho do público presente, no entanto, influencia mais na demonstração de força e capacidade de mobilização do que na repercussão das falas. Desde quarta-feira, dia do ato, Lula domina as discussões nas redes sociais.

Em monitoramento realizado pela Palver, Lula foi dominante em todas as fontes de dados analisadas. Nos mais de 70 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram, o presidente foi o político com o maior número de menções. Resultados similares podem ser vistos nos monitoramentos de notícias, rádio, jornais impressos e televisão.

Grande parte desse domínio de Lula se deu por conta de uma fala específica durante o ato de 1º de Maio. No meio do evento, ao se referir a Guilherme Boulos, deputado federal e pré-candidato a prefeito de São Paulo, o presidente dispara: "ninguém derrotará esse moço aqui se vocês votarem no Boulos para prefeito de São Paulo nas próximas eleições".

No mesmo dia, todos os principais pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo se pronunciaram sobre as falas de Lula. Ricardo Nunes (MDB), prefeito e candidato à reeleição, lamentou o ocorrido e disse que judicializaria o processo. Também se pronunciaram os deputados federais Tabata Amaral (PSB) e Kim Kataguiri (União Brasil).

Quando este engajamento dos adversários ocorre, há um processo circular de reafirmação do tópico. Após Nunes se pronunciar e apontar para a judicialização, há uma focalização do assunto por parte da imprensa, cujo papel é realizar a cobertura dos fatos relacionados à temática. Nesse processo, costuma-se ouvir as diferentes partes envolvidas, que também irão se posicionar, alimentando a discussão.

Nos blogs e redes sociais, aproveitando o destaque do tema pela imprensa tradicional, multiplica-se a quantidade de usuários querendo surfar na onda de popularidade do assunto e as chamadas começam a ser mais apelativas, por exemplo: "Lula comete crime eleitoral e pede voto a Boulos para prefeito de São Paulo".

Ao serem excessivamente expostas ao tema, as pessoas se sentem na obrigação de emitir opinião e, para isso, vão assistir aos vídeos originais, pesquisar sobre o assunto nas redes sociais ou consumir os conteúdos compartilhados no WhatsApp e Telegram que estejam relacionados à discussão. Essa estratégia foi bastante utilizada por Bolsonaro e seu grupo político.

Os opositores de Lula tentaram redirecionar o foco do debate argumentando que a baixa adesão do público no evento de 1º de maio é indício de que houve fraude nas urnas eletrônicas, pois "o povo não está com Lula", além de outros argumentos similares que foram observados no monitoramento da Palver, mas todos com baixa repercussão.

Usuários em grupos de direita do WhatsApp ainda acusaram Lula de estar deliberadamente tentando uma punição do TSE, ainda que menos grave, para dar aparência de imparcialidade da corte.

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