Hélio Schwartsman

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…".

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Lula já esteve em melhor forma

Gafe política e infração eleitoral marcaram falas do presidente no 1º de Maio

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São Paulo

Lula está fora de forma. Em outros tempos, não teria cometido um 1º de Maio como o da última quarta-feira.

O presidente tem não só o direito como o dever de apoiar Guilherme Boulos na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Isso é parte de um acordo que ele em nome do PT firmou dois anos atrás, e cumprir acordos é importante na política. O problema é que Lula não é só o comandante do PT. Ele também lidera uma coalizão de governo que reúne mais de uma dezena de partidos. Os três principais postulantes à prefeitura, Boulos (PSOL), Ricardo Nunes (MDB) e Tabata Amaral (PSB), pertencem a legendas que integram essa aliança. O MDB tem três ministérios, e o PSB, dois.

O presidente Lula em ato das centrais sindicais em comemoração ao Dia do Trabalho - Zanone Fraissat - 1º.mai.2024/Folhapress

Isso significa que Lula, ao apoiar seu candidato, deveria ter o cuidado de não melindrar muito aliados de outras siglas. Não teve. Suas declarações sobre Nunes incomodaram lideranças do MDB. Fazer isso num momento em que interessa ao governo desanuviar o clima de confronto não é inteligente.

E Lula não incorreu só em gafe política. Ele também cometeu infração eleitoral ao pedir explicitamente votos para Boulos, o que é proibido na fase de pré-campanha. Até aí, nada muito grave. A penalidade é uma multa. Só que o presidente fez o que fez num evento oficial, parcialmente custeado com recursos públicos. Se a Justiça Eleitoral mostrasse para com Lula e Boulos o mesmo rigor que vem impondo a políticos bolsonaristas, os dois estariam encrencados.

Não acho que vá acontecer. Bolsonaro e seus acólitos recebem um tratamento duro não só porque violaram a letra da lei (em alguns casos, nem isso) mas também porque atacaram as instituições, o que levou a uma contrarreação do STF e do TSE. Não é o ideal dentro da lógica do direito, mas é como o mundo real funciona. A questão é que não dá para viver em modo de contrarreação para sempre. Se a Justiça zela por sua credibilidade, precisa voltar a atuar numa marcha mais ortodoxa.

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