Mara Gama

Jornalista e consultora de qualidade de texto.

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Mara Gama

Quando voltarem às aulas depois do Carnaval, crianças de 14 escolas municipais de Ilhabela (a 210 km de São Paulo) vão conhecer e poder participar de uma experiência de compostagem.

É o maior projeto em número de escolas e de alunos desse tipo em todo o litoral norte do Estado, segundo seus organizadores. A ilha tem cerca de 33 mil habitantes e 5.500 crianças matriculadas nos ensinos fundamental e médio, de acordo com o censo de 2015.

Usando o sistema de cilindros para a compostagem termofílica, os alunos poderão acompanhar o processo de transformação de restos da preparação das merendas e de podas de árvores e varrição em composto. O composto é um fertilizante natural, absorve carbono e pode ser usado para hortas e jardins.

Sem uso de minhocas, a compostagem termofílica se dá pela mistura na medida certa de nutrientes dos restos frescos com material seco e bactérias. É mais indicada para grandes e médios geradores, pois é necessário um volume grande de resíduo para o processo ocorrer.

As 14 escolas são as maiores da ilha e estão nas regiões norte, sul e central. Serão atingidas pela primeira fase do projeto que une as secretarias de Educação, Meio Ambiente e Obras e as empresas de negócios ecológicos Morada da Floresta e Flow e que deve durar todo o ano de 2018.

Numa segunda fase, ainda sem previsão de cronograma, seriam incluídas as demais –a ilha tem 33 escolas municipais.

Professores receberão treinamento para organizar os alunos nas atividades, com acompanhamento da Flow e da Morada, que apresentaram nesta quinta (25) o projeto na Ilhabela. Também foi mostrado o plano de tratamento das bitucas de cigarro da cidade.

EXPERIÊNCIAS

À frente da Flow, fundada em 2015, a veterinária Tatiana Araújo atua em projetos ligados à gestão e ao tratamento de resíduos sólidos.

Deve acompanhar durante o ano as etapas do programa de compostagem nas escolas. Tem experiência na área. Em 2016, participou da implantação de um sistema compostagem e horta em Topolândia, bairro de São Sebastião, onde moram mais de 20 mil pessoas.

Ali, na escola Josefa Ana, a iniciativa funciona até hoje, com o engajamento de professores, alunos e pais, que fazem mensalmente uma feira de verduras e legumes cultivados com o adubo gerado.

Claudio Spínola, da Morada da Floresta, participou de um grande projeto de compostagem em escolas municipais de São Paulo em 2016, que gerou até um manual, disponível para download em português e inglês.

O "Manual para Gestão de Resíduos Orgânicos nas Escolas" ensina quais as diferenças entre compostagem aeróbia e a compostagem com minhocas (vermicompostagem), para que serve o composto e como utilizá-lo, como montar uma "sala de aula verde", como separar os resíduos de comida e de jardins.

LIXO E LITORAL

Ilhabela envia seus resíduos para a cidade de Jambeiro (98 km serra acima). São caminhões atravessando o canal com balsa e pegando estrada para despejar o lixo da ilha em aterro.

Existe um sistema de coleta e separação de recicláveis, apoiado em cooperativa de catadores, mas o trajeto também é esse. Os materiais recolhidos têm de ser atravessados para o continente por e para interessados em vender para empresas recicladoras.

A exemplo do que acontece em grande parte das cidades litorâneas, os problemas de Ilhabela se agravam nas temporadas, quando o turismo faz a população triplicar, sem contudo aumentar a capacidade de dar destino correto aos resíduos. Só aumenta o volume e a urgência de tratar, para não gerar odor e vetores de contaminação.

O tratamento dos orgânicos na própria ilha poderia reduzir os custos dessas operações pela metade, já que a lixo doméstico é composto de mais de 50 % de material orgânico. Além disso, seria uma boa forma de gerar adubo orgânico para o cultivo local de verduras pelas comunidades. Se as crianças puderem levar a ideia e influenciar seus pais, melhor ainda. Daí o potencial triplamente positivo da iniciativa nas escolas.

BITUCAS

Devem ser implantadas em breve caixas de coleta de bituca de cigarro em 11 locais de grande circulação de Ilhabela, como a região da balsa, da vila e da prefeitura, segundo Tatiana.

As bitucas serão transformadas em papel, num sistema que foi desenvolvido pela Universidade de Brasília, tem patente verde, e é usado pela Poiato Recicla, que funciona na cidade de Votorantim. A Poiato Recicla já atende outras prefeituras paulistas.

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