Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

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Ciência começa a dominar a ferrugem da soja, um alívio para os produtores

Consórcio formado por 12 empresas públicas e privadas espalhadas pelo mundo trabalham em combater o fungo

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A ferrugem, uma das doenças mais devastadoras da soja, começa a ser dominada pelos cientistas.
Os altos custos anuais desembolsados no combate à ação do fungo e a grande perda de produtividade da planta quando a doença não é tratada adequadamente podem deixar de ser um pesadelo para os produtores a médio prazo.

Nesta segunda (30), um consórcio formado por 12 empresas públicas e privadas espalhadas pelo mundo anunciou a conclusão do sequenciamento e da montagem de três diferentes amostras do fungo Phakopsora pachyrhizi, o portador da ferrugem da soja.

“A conclusão do sequenciamento e montagem do genoma do fungo de uma maneira inovadora e aberta é uma ótima notícia para toda a comunidade científica”, afirma Francismar C. Marcelino, pesquisadora da Embrapa Soja.

A declaração foi dada por meio de nota técnica publicada nos sites das entidades que participaram da pesquisa. Francismar explica que o sequenciamento ampliará a compreensão da adaptabilidade, da evolução e da diversidade genética do fungo, o que ajudará no desenvolvimento de estratégias para o controle da ferrugem asiática.

O trabalho dos pesquisadores foi intenso porque o patógeno —o fungo portador da doença— é capaz de se adaptar às estratégias de controle, limitando as soluções práticas para o problema.

A complexidade do genoma desse fungo dificultava sua caracterização por meio das técnicas usuais de sequenciamento. A formação de um consórcio único, com as 12 entidades envolvidas no processo, permitiu o emprego de tecnologias de sequenciamento de última geração, que, segundo os pesquisadores, foram usadas para fornecer leituras de fragmentos de DNA pequenos ou longos.

O sequenciamento mostrou, porém, que o genoma é extremamente rico em sequências repetitivas de DNA não codificante, de modo que os pesquisadores ainda têm muito caminho a percorrer. O consórcio quer agora decifrar a biologia do fungo e entender a sua complexa interação com a soja no nível molecular.

Entre os membros do consórcio estão a Embrapa, o Inra (um dos principais institutos de pesquisa agrícola na Europa), o Joint Genome Institute (EUA), a Bayer, a Syngenta, a Fundação 2Blades (EUA), o Sainsbury Laboratory, a empresa KeyGene e as universidades alemãs de Hohenheim e RWTH, Aachen, além da brasileira Federal de Viçosa e da francesa Lorraine.

A ferrugem asiática provoca estragos na produção de soja em todas as regiões produtivas. No Brasil, os prejuízos provocados pela doença chegam a US$ 2 bilhões (cerca de R$ 8,3 bilhões).

Paciência esgotada

Muitos produtores americanos estão perdendo a paciência com o presidente Donald Trump. Primeiro, pela guerra comercial com a China, que dificultou a entrada de produtos americanos em um dos principais mercados para o agronegócio no mundo.

Apesar dos efeitos negativos, muitos ainda apoiam o presidente na esperança de negociações mais favoráveis com o gigante asiático no futuro. Agora, o novo embate dos produtores com o governo de Washington mira as liberações de mistura de etanol na gasolina para as pequenas refinarias. Trump já isentou 85 delas dessa mistura, reduzindo a demanda de etanol em 15,3 bilhões de litros desde o início das isenções.

Na sexta-feira (27), associações de produtores de milho de 23 estados, que representam 300 mil produtores, enviaram carta ao presidente Trump, afirmando que essas liberações de mistura dos dois combustíveis estão reduzindo em muito a demanda por milho, o que prejudica os produtores. Para os presidentes das associações, a frustração no campo está crescendo.


É o fogo Ao saber que os EUA têm importado milho do Brasil, noticiado pela Reuters, produtores americanos atribuem o evento ao fogo que afeta a região amazônica.

É o fogo 2  Para eles, o incêndio libera mais terra, e barata. Com isso, o milho e a soja brasileiros ganham competitividade. Na verdade, o próprio governo dos EUA é um dos responsáveis pelas importações. No início, previu uma safra baixa, incentivando as compras externas.

Etanol O consumo nacional de janeiro a agosto atingiu 14,5 bilhões de litros, 26% mais do que em igual período de 2018. E a participação do etanol na matriz de combustíveis do ciclo Otto (veículos de passeio e carga leve) atingiu 48,1%, diz a Unica.

É muito  O Usda divulgou nesta segunda (30) que os estoques de soja somavam 25 milhões de toneladas no início de setembro nos EUA. É o maior volume armazenado em final de safra.

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