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França revela mega fraude de rosé espanhol vendido como vinho francês

Escândalo é investigado desde 2015 por órgão subordinado ao Ministério da Economia

Adriana Moysés

O jornal Aujourd'hui en France revela nesta segunda-feira (9) que 10 milhões de garrafas de rosé espanhol foram vendidas como vinho francês nos últimos anos. O jornal teve acesso a um relatório do Ministério da Economia com os resultados de dois anos de investigações sobre a "fraude do século" no setor vinícola francês.

O escândalo é investigado desde 2015 pela Direção-Geral para Concorrência, Consumo e Repressão de Fraudes, órgão subordinado ao Ministério da Economia, quando surgiram as primeiras denúncias. Ao longo de 2016 e 2017, fiscais realizaram inspeções em toda a cadeia de produção: viticultores, importadores, distribuidores e restaurantes, em todo o território nacional.

Vinho rosé - Adriano Vizoni/Folhapress

As conclusões da investigação são edificantes: 22% dos estabelecimentos visitados pelos fiscais em 2016 apresentaram irregularidades nas vendas de vinho rosé, como, por exemplo, etiquetas enganosas e falsificação na origem da bebida. Os quatro maiores comerciantes de vinho do país guardavam em seus estoques cerca de 10 milhões de garrafas etiquetadas como rosé francês, quando na verdade era espanhol, de produção mais barata.

A fraude foi motivada pelo lucro. Enquanto o litro de rosé francês custa de € 0,75 a € 0,90 na compra do produtor, o litro do rosé espanhol varia de € 0,34 a € 0,40. A garrafa com o selo de certificação IGP (abreviação de "indicação de produção protegida") costuma ser vendida a partir de € 3 ou € 4. Em razão do grande volume de consumo, principalmente durante os meses de verão, a bebida espanhola comercializada como produto francês é bem mais rentável. Constatada a fraude, as autoridades francesas abriram processos penais contra os falsificadores.

Consumidor deve conferir etiquetas

Entrevistado pelo Aujourd'hui en France, Ludovic Roux, viticultor e presidente de uma cooperativa de produtores de vinho do sul da França, diz que o impacto do escândalo no setor é devastador. Ele afirma que os produtores lutam para combater a usurpação dos selos de certificação, mas as fraudes são frequentes.

Para o consumidor ter certeza da origem do vinho, é preciso desconfiar da menção "engarrafado na França", usada na maioria das vezes para vinhos estrangeiros. O país de origem da bebida deve obrigatoriamente constar do rótulo detrás da garrafa. Esta informação não deve ser confundida com a indicação geográfica do vinhedo, apontada pelas siglas AOP, AOC ou IGP.

O termo "domaine" (domínio ou propriedade, em português) pode se revelar enganoso. Ele pode ser usado livremente, sem nenhum tipo de controle. Em pelo menos uma das etiquetas deve estar explicitado o volume da bebida (75 cl), o teor alcoólico, a localidade, o nome e o número de registro da empresa responsável pelo engarrafamento do vinho.

RFI
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