Não há consenso sobre impacto dos defensivos na saúde

Índice usado no Brasil se baseia em padrões americanos e europeus

Produtos orgânicos expostos na edição 2017 do Festival Da Terra ao Prato
Produtos expostos em edição do festival Da Terra ao Prato - Rodolfo Goud/Divulgação
VICTOR GOUVÊA
São Paulo

Quando se trata de segurança alimentar, uma sigla controversa divide a ciência: IDA (Ingestão Diária Aceitável). Determinado por pesquisas toxicológicas, o índice usado no país se baseia em padrões americanos e europeus.

Mas é possível determinar um índice seguro para o consumo de defensivos agrícolas? "Ainda não existe toxicologia em quantidade suficiente para formar evidências", diz Paulo Saldiva, patologista da USP e membro da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer.

Para comprovar possíveis consequências da exposição cumulativa a doses baixas de agrotóxicos, como as encontradas nos alimentos, seria necessário iniciar a investigação na gestação, e acompanhar os indivíduos por anos.

A maioria das pesquisas é realizada em animais, que, segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, indicam danos em regulagens hormonais, ciclos reprodutivos e formação de células cancerosas.

Mas em humanos dependem de variáveis como doenças adquiridas, hábitos e repertório genético, além da combinação do impacto de substâncias usadas em conjunto e da poluição do ar, por exemplo.

"No Brasil, temos cerca de 540 ingredientes ativos registrados, em um pimentão você pode encontrar 19 deles. Isso daria uma progressão geométrica de combinações", diz Raquel Maria Rigotto, professora do departamento de saúde pública da Universidade Federal do Ceará.

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