Descrição de chapéu Festival Fartura

Sorvete paraense de jambu que homenageia Gaby Amarantos faz sucesso no frio de SP

Marca aposta em sabores típicos como cumaru, cupuaçu, taperebá e jambo

Stand de sorvetes da marca Boto, de Santarém (Pará), no Festival Fartura em São Paulo - Keiny Andrade/Folhapress
Danae Stephan

Foi com sabores inusitados como cumaru, tapioca, cupuaçu, taperebá com geleia de jambo e castanha-do-pará que o mestre gelatier Tiago Silva, de Santarém (PA), contornou a frente fria que baixou em São Paulo neste fim de semana. O estande da Boto Sorveteria Artesanal foi dos mais cobiçados neste sábado, o primeiro dia do Festival Fartura, do qual a Folha é parceira.

“As pessoas estão sendo atraídas pelo diferencial, e o frio é quase insignificante. Um cliente tomou sete porções, e disse que foi a melhor experiência do dia”, conta Tiago.

O empresário, que nasceu em Roraima, mas passou boa parte da vida em Curitiba, se mudou para Santarém há quatro anos, para assumir um cargo na empresa do pai, na área do agronegócio.

Descontente com o trabalho e saudoso do sorvete de iogurte com amarena (tipo de cereja italiana) de Curitiba, resolveu empreender. “Não encontrava nada que eu gostasse, falei ‘quer saber? Vou fazer o meu’”, conta.

Fez primeiro um curso básico em São Paulo, e seguiu para a Itália, para uma temporada de quatro semanas na escola Icif (Italian Culinary Institute for Foreigners), na região do Piemonte, considerada uma das melhores do país. 

Lá aprendeu a técnica de preparo da base, e também a fazer todas as pastas e geleias usadas para dar sabor. “Não compro nada pronto. Para o sorvete de castanha-do-pará, por exemplo, torro primeiro para acentuar o gosto. Por isso tanto o aroma quanto o sabor são mais vivos”, explica.

Quem provou concorda. “É um soco na cara de castanha-do-pará”, brinca o cozinheiro André Rossi Barbosa, 31. “É muito leve, macio e nem um pouco gorduroso”, diz Gabriela Santa Cruz, 22, também cozinheira.

Como no Pará é difícil encontrar amarena, Tiago passou a criar em cima dos insumos locais. O primeiro sorvete de origem foi o treme-treme, que leva jambu, jambo e batidinha de cupuaçu. “Ia ter o Festival das Águas em Alter do Chão, e me pediram para criar um sabor que fosse a cara do lugar”, conta Tiago. Ele se lembrou da sacola de jambu que havia comprado por engano —o jambu é bem parecido com uma variedade de espinafre comum na região—, e resolveu experimentar.

Uma cliente sugeriu que ele misturasse com o de maracujá com pimenta, e a combinação ficou ainda melhor. Ganhou o nome de napolitano regional. Depois de uma visita da cantora Gaby Amarantos, Tiago quis homenageá-la, mudando o nome do sorvete para treme-treme (título de uma de suas músicas mais famosas). Sucesso lá e cá: foi o mais pedido no Fartura. 

Seguiram-se outros sabores regionais, que dividem espaço com opções tradicionais, como chocolate belga, cheesecake e, claro, iogurte com cereja. As casquinhas também ganharam sabores da região, como cumaru e açaí. Hoje a sorveteria vende em torno de 30 mil porções por mês. 

No Fartura, foram mais de 400 bolas servidas no primeiro dia, ao preço de R$ 11 a bola, ou R$ 13 na casquinha. O festival acontece até as 20h deste domingo,  no Jockey Club de São Paulo. O ingresso custa R$ 25.  

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