DO RIO
DE SÃO PAULO
DO UOL

Em depoimento reproduzido pelo "Fantástico", da Rede Globo, neste domingo (21), Antonio de Almeida Anaquim 41, que atropelou dezenas de pessoas no Rio de Janeiro na última quinta-feira (18) pediu desculpas e disse não ser assassino.

"Quero dizer que não sou nenhum assassino. Não tive intenção nenhuma de matar ninguém. Peço perdão a todas as pessoas que sofreram ou estão sofrendo por toda essa tragédia que eu causei", afirmou em vídeo enviado ao programa.

Ele também se dirigiu especificamente aos pais de Maria Louise, de oito meses, que morreu no episódio.

Na quinta (18), o motorista perdeu a direção na orla de Copacabana, subiu na ciclovia, atravessou o calçadão e só parou na areia da praia. Foram ao todo 18 pessoas atropeladas.

No vídeo divulgado hoje, ele conta que teve "uma ausência" e que só retomou a consciência quando os policiais o abordaram no carro. "Eu tive uma ausência. Você fica completamente congelado, se contorce um pouco para o lado e nisso perde totalmente a consciência das coisas, de tudo", afirmou.

"Quando comecei a ter uma consciência, eu ainda muito grogue, ainda não estava entendendo nada, somente via o vidro do meu carro quebrado, dois policiais na minha porta, tentando me explicar, mas eu ainda praticamente sem entender nada do que estava acontecendo", acrescenta.

No entanto, Anaquim não explica no vídeo por que não havia informado anteriormente ao Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio de Janeiro sobre a epilepsia, nem fala sobre as multas e a suspensão da sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

Nesta semana, Anaquim deverá voltar para depor na 12ª Delegacia de Polícia. A data ainda não foi definida. Ele responderá em liberdade por homicídio culposo –quando não há intenção de matar.

No seu primeiro depoimento, o motorista afirmou ter sofrido um ataque epilético. A CNH (Carteira Nacional de Habilitação) dele já tinha sido cassada pelo Detran.

Em maio de 2014, o Detran abriu processo de suspensão da carteira de Anaquim. No entanto, ele não cumpriu com a exigência de devolução da carteira para realizar o curso de reciclagem. O processo só foi concluído em fevereiro de 2017.

Neste período, ele renovou a CNH e mentiu para órgão.

Ao ser questionado se tinha epilepsia no processo de renovação da carteira, o motorista negou.

Anaquim foi liberado na tarde de sexta (19).

VÍTIMAS

Os pais da menina morta no episódio vão processar Anaquim. Segundo o advogado da família, Carlos Alberto do Nascimento, eles estão muito abalados com a tragédia e não têm condição de trabalhar. Por isso, o advogado vai pedir uma indenização na Justiça nos próximos dias. O valor ainda não foi calculado.

Dentre os sobreviventes, o caso mais grave é o de um australiano que está internado no Hospital Miguel Couto.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o australiano de 68 anos, que é residente no Brasil, está na UTI e "apresenta evolução clínica favorável, mas o quadro é ainda gravíssimo".

Outras sete pessoas estão internadas em estado estável em dois hospitais públicos. Quatro serão submetidos a cirurgias ortopédicas nesta segunda (22) no Miguel Couto.

No Hospital Souza Aguiar, duas vítimas, sendo uma argentina, "recuperam-se bem das cirurgias ortopédicas realizadas na sexta-feira".

Outra ferida aguarda transferência para fazer cirurgia de alta complexidade.

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