DO RIO

A favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio, viveu um dia de intensos tiroteios nesta quinta-feira (25). Os confrontos começaram no início da manhã. A base da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) foi atacada.

Dois PMs foram baleados, mas um deles não resistiu aos ferimentos e morreu no final da noite no hospital onde estava internado. Um deles está em estado grave. Três suspeitos também foram feridos, assim como um morador sem relação com o confronto. Um homem suspeito de integrar o tráfico foi preso.

Segundo o aplicativo "Onde Tem Tiroteio", que faz registro de disparos de armas de fogo no Rio por meio de denúncia de moradores pelas redes sociais, registrou ao menos oito confrontos nesta quinta na Rocinha.

A operação levou pânico à favela e seu entorno. Desde o início da manhã, helicópteros da polícia rondavam a favela. Tiros e bombas eram ouvidos nos bairros da Gávea e São Conrado.

Sete fuzis, quatro pistolas e uma granada foram apreendidas. Nenhum carregamento de drogas foi encontrado.

A operação desta quinta foi planejada há 15 dias e é um desdobramento de ação que ocorreu na terça e quarta-feira na Cidade de Deus, zona oeste do Rio. A facção que hoje domina o tráfico na Rocinha, o Comando Vermelho, é a mesma da Cidade de Deus.

No fim da tarde, o conflito se espraiou da Rocinha para a favela vizinha do Vidigal, no Leblon. Um ônibus foi incendiado na avenida Niemeyer, que liga as orlas da zona sul e da zona oeste, próximo ao hotel de luxo Sheraton. As pistas foram interditadas por conta do incêndio. Até as 19h40, ainda não tinham sido liberadas para o trânsito.

DISPUTA

A Rocinha viveu no fim do ano passado a disputa pela venda de drogas nas bocas da favela, tidas como das mais rentáveis do Rio. A facção que comandava havia cerca de uma década a favela, a ADA (Amigo dos Amigos), rachou. O grupo de Rogério Avelino, o Rogério 157, se negou a obedecer ordem de um dos chefes da facção, o Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, preso desde 2011 em Rondônia.

Após grupos leais a Nem tentarem sem sucesso invadir as bocas, a polícia interveio inclusive com o suporte das Forças Armadas. O bando de 157 trocou de facção e buscou refúgio em favelas do Comando Vermelho na zona norte da cidade. Era a primeira vez em mais de uma década que o CV retomava o controle da Rocinha.

Informações apontam que Rogério 157 conseguiu restabelecer o controle da Rocinha, perdido nas semanas de ocupação militar. As Forças Armadas desmontaram o cerco e a PM passou a fazer operações diárias no morro. Moradores reclamam da rotina de guerra na favela, que tem cerca de 100 mil moradores. Segundo a Folha apurou, o grupo criminoso que atua no local tem cerca de 200 homens.

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