Após intervenção federal, presos fazem rebelião em presídio no Rio de Janeiro

Motim ocorreu na Penitenciária Milton Dias Moreira, na Baixada Fluminense

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro | UOL

Dois dias após o anúncio da intervenção federal no Rio, detentos fizeram neste domingo (18) uma rebelião na Penitenciária Milton Dias Moreira, em Japeri, na Baixada Fluminense. Oito agentes e dez detentos foram mantidos reféns.

A intervenção anunciada na sexta (16) transfere ao general Walter Souza Braga Netto, do Comando Militar do Leste, a gestão das forças de segurança do Estado, incluindo as polícias limitar e civil, os bombeiros e a administração penitenciária.

Oito agentes que trabalhavam na unidade foram feitos reféns e liberados entre a noite de domingo e madrugada desta segunda-feira (19), de acordo com a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) -- o órgão afirma que a situação já está sob controle. 

Três presos feridos foram atendidos por ambulâncias da Defesa Civil e não correm risco de morte.

O motim começou depois que as equipes da penitenciária impediram uma tentativa de fuga na tarde deste domingo. Os agentes foram rendidos enquanto faziam a contagem dos presos.

Unidades do 24º Batalhão de Polícia Militar (Queimados), do Comando de Operações Especiais e do Grupamento de Intervenção Tática, ligado à Seap, continuavam no local na madrugada.

Neste domingo, a Seap anunciou que havia reforçado a segurança nos presídios cariocas após o anúncio da intervenção, como prevenção contra eventuais reações da população carcerária.

"Uma série de medidas operacionais foram adotadas, com o objetivo de impedir instabilidades no sistema carcerário", disse, em nota, o secretário de Administração Penitenciária, David Anthony Gonçalves Alves.

Dentre os armamentos apreendidos pela Seap, constavam um revólver, duas pistolas, uma granada de efeito moral e uma laterna.

A secretaria não detalhou quais são as medidas, alegando "questões de segurança". Na nota, diz que mudanças no controle dos presídios já vinham sendo elaboradas desde a posse de Alves, no dia 24 de janeiro, e foram antecipadas após o anúncio da intervenção.

Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a Penitenciária Milton Dias Moreira tem capacidade para 884 detentos, mas mantinha em janeiro 2.027 presos.

Relatório de inspeção do CNJ referente ao mês de janeiro informa que já foram encontradas armas de fogo e aparelhos de telefone celular na penitenciária. O relatório conclui que as condições do estabelecimento penal são ruins.

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