Descrição de chapéu febre amarela saúde

Capital e litoral de SP registram primeiros casos locais de febre amarela

Estado contabiliza 186 casos da doença, sendo que 65 evoluíram a óbito

Agentes de saúde aplicam vacina a domicílio em São Bernardo do Campo, na Grande SP, após confirmação de caso
Agentes de saúde aplicam vacina a domicílio em São Bernardo do Campo, na Grande SP, após confirmação de caso - Rivaldo Gomes/Folhapress
Angela Pinho Fernanda Pereira Neves
São Paulo

O litoral paulista e a cidade de São Paulo registraram os primeiros casos autóctones (contraídos no local) de febre amarela em meio ao avanço da doença no Estado.

Os dados foram confirmados nesta sexta (9) pela Secretaria da Saúde do governo Geraldo Alckmin (PSDB). Do início de 2017 até agora, a pasta contabiliza 186 casos da doença no Estado, sendo que 65 resultaram em morte.

O caso da capital paulista é de um homem de 29 anos morador do Tremembé, na zona norte. Ele frequentava semanalmente um local contíguo ao Parque Estadual da Cantareira, perto da divisa de Mairiporã, cidade da Grande São Paulo onde já foram registrados 105 casos. O paciente não tinha se vacinado.

A Secretaria Municipal de Saúde, ligada à gestão do prefeito João Doria (PSDB), reforça se tratar de um caso silvestre da doença --ou seja, contraído em área de mata, por meio de mosquitos como Haemagogus ou Sabethes.

Desde 1942 não são registrados casos de febre amarela urbana no Brasil. Apesar disso, especialistas reforçam a necessidade de vacinação diante do risco de circulação urbana por meio do mosquito Aedes aegypti, cujo habitat são as cidades e que já é transmissor de doenças como zika, dengue, chikungunya.

PARQUES

O primeiro caso de febre amarela registrado no litoral paulista ocorreu em Itanhaém, mas não foram divulgados detalhes da vítima.

Após a morte de um sagui pela febre amarela na região de Santo Amaro, a Prefeitura de São Paulo determinou o fechamento de mais três parques municipais a partir deste sábado (10) --parque Severo Gomes, parque do Cordeiro (Martin Luther King) e o Parque Chuvisco, todos na zona sul. Com isso, a cidade chega a 18 parques fechados.

O Parque Estadual da Cantareira, na zona norte, é um dos que ficaram bloqueados por quase três meses em razão do risco de transmissão de febre amarela. Ele foi fechado em outubro do ano passado, após a confirmação da morte de um macaco em decorrência da doença, e foi reaberto em janeiro.

Além do Cantareira, o Horto Florestal e o Parque Ecológico do Tietê também foram reabertos na ocasião, após campanha de vacinação na zona norte, mas com avisos na entrada para orientar a população que, para visitá-los, é preciso ter tomado vacina contra a febre amarela pelo menos dez dias antes.

Após a reabertura dos parques da zona norte, o governo ainda fechou, no final do mês passado, após a morte de macacos, o parque estadual Fontes do Ipiranga, na zona sul, e os órgãos que ficam dentro dele --o Zoológico de São Paulo, o Jardim Botânico e o Cientec (Parque de Ciência e Tecnologia da USP).

CONFIRMADOS

Além da capital e do litoral, o ABC paulista também confirmou nesta semana o primeiro caso de febre amarela. Segundo a gestão Orlando Morando (PSDB), trata-se de um homem de 35 anos, morador do Jardim Palermo e que trabalha no Jardim Represa.

Segundo a prefeitura, ele não havia se vacinado e também não realizou qualquer viagem ou deslocamento nos últimos meses, o que indica que ele foi picado pelo mosquito transmissor dentro da cidade --mas em região de mata.

A cidade de Mairiporã, no entanto, é a que mais concentra casos da doença. As 105 confirmações correspondem a 57% dos casos do Estado.

VACINAÇÃO

Devido ao avanço da doença e a filas em postos que se formavam desde a madrugada, São Paulo realiza desde 25 de janeiro uma campanha emergencial, com uso de doses fracionadas. 

O mutirão está sendo realizado em 53 cidades, além de 20 distritos da capital paulista. Por enquanto, 2,7 milhões de paulistas foram imunizados, sendo 2,6 milhões com a dose fracionada.

Fracionar a vacina foi a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde para conseguir imunizar um maior número de pessoas. Quem for vacina com ela deve tomar nova dose em ao menos oito anos.

O encerramento da campanha está previsto para 17 de fevereiro, com um Dia D, quando as unidades funcionarão em esquema especial.

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