Governo vai esperar aval do Congresso para iniciar intervenção no Rio

Apesar de militares nas ruas, regime não começou, diz Comando Militar do Leste

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

Apesar da presença de militares e tanques nas ruas do Rio, o porta-voz do Comando Militar do Leste, Carlos Frederico Cinelli, disse neste sábado (17) que as operações sob o regime de intervenção na segurança do Rio ainda não foram iniciadas. Segundo ele, a intervenção não prevê que o Exército substitua a polícia nos patrulhamentos.

"A polícia continua sendo a linha de frente", afirmou. A atuação das Forças Armadas deve seguir o modelo adotado desde o fim do ano passado, quando foi criada uma força conjunta com a segurança do Rio sob o regime da GLO (Garantia da Lei e da Ordem).

A principal diferença, agora, é que o comando passa para as mãos do interventor, o general Walter Souza Braga Netto. Antes, a Secretaria de Segurança do Rio comandava as ações.

"O interventor é como um governador da segurança pública", explicou o coronel Cinelli, em entrevista antes de reunião entre Temer, Braga Netto e autoridades fluminenses, no Rio.

Embora a publicação do decreto no Diário Oficial, na última sexta (16) já garanta o início da intervenção, Braga Netto, deve esperar a votação, pelo Congresso, do decreto de intervenção assinado nesta sexta pelo presidente Michel Temer antes de iniciar mudanças na estrutura da área de Segurança no Estado.

A primeira sessão na Câmara dos Deputados para analisar o decreto está marcada para esta segunda (19). Depois, o texto ainda será apreciado pelo Senado.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), disse não esperar dificuldades para aprovar o texto. "Minha impressão, pelo que tenho visto na mídia e nas redes sociais, é que vai ter apoio", afirmou.

Cinelli disse que a presença de militares nas ruas do Rio neste sábado fez parte do esquema de segurança para a visita de Temer, que participou de reunião com autoridades do Estado para apresentar o interventor.

No dia-a-dia, a polícia permanecerá com a função de fazer o patrulhamento. O interventor tem poder para gerir também os recursos materiais e humanos das forças policiais e conta com o apoio financeiro do governo federal para tentar reverter o sucateamento da segurança no Estado.

O governador Luiz Fernando Pezão vem alegando falta de verba para, por exemplo, repor os cerca de 2,2 mil policiais que se aposentam a cada ano. Ou para contratar a manutenção da frota -- hoje, mais da metade das viaturas estão paradas.

Segundo o porta-voz, eventuais operações que venham a ser realizadas nos próximos dias ainda são parte de planejamento anterior ao decreto -- as Forças Armadas já atuam em conjunto com o governo do Rio desde o ano passado, sob o regime de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

A intervenção foi decretada na sexta com o argumento de que o Rio perdeu as condições de gerenciar a área. Em crise financeira, o Estado vem experimentando crescimento nos índices de criminalidade.

Nesta manhã, autoridades das Forças Armadas que atuam em parceria com o governo do Estado na GLO se reuniram para começar a traçar estratégias para a intervenção na segurança pública do Estado.

CRIVELLA

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), que estava em viagem ao exterior desde domingo, também participa do encontro.

Crivella foi para a Europa alegando que buscaria soluções para a segurança da capital. Ele estava fora da cidade durante parte do carnaval e do temporal de quarta (14) à noite, que gerou grandes transtornos à população.

Bastante criticada, a viagem custou cerca de R$ 130 mil. Crivella chegou ao Rio na manhã deste sábado.

Além de Temer, participam da reunião no Rio, os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Moreira Franco, entre outros.

Nicola Pamplona

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.